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31/10/2024 | 18:55 | Polícia

Ronnie Lessa é condenado a mais de 78 anos e Élcio Queiroz a 59 anos de reclusão pelas mortes de Marielle e de Anderson

Lessa assumiu ter disparado contra a vereadora, alvo da ação, e contra o motorista dela, enquanto Queiroz confessou que era o condutor do Cobalt prata usado no ataque

Lessa assumiu ter disparado contra a vereadora, alvo da ação, e contra o motorista dela, enquanto Queiroz confessou que era o condutor do Cobalt prata usado no ataque
Juíza Lúcia Glioche concluiu a leitura da sentença por volta das 18h30min desta quinta-feira. PABLO PORCIUNCULA / AFP

Após mais de seis anos do assassinato da vereadora Marielle Franco e do motorista Anderson Gomes, em 14 de março de 2018, os ex-policiais militares acusados do crime, Ronnie Lessa e Élcio Queiroz, foram condenados pelo Tribunal do Júri. Às 18h30min desta quinta-feira (31), a juíza Lúcia Glioche concluiu a leitura da sentença: Lessa condenado a 78 anos, 9 meses e 30 dias de reclusão; Queiroz a 59 anos e 8 meses e 10 dias de reclusão.

A dupla também foi condenada a pagar R$ 706 mil como indenização para cada um dos parentes das vítimas: Arthur (filho de Anderson), Luiara (filha de Marielle), Ágata (viúva de Anderson), Monica (viúva de Marielle) e Marinete (mãe de Marielle).

Antes de anunciar as penas, a juíza fez um discurso, reforçando o papel da Justiça em casos como o que foi julgado, mas ponderando que a decisão não poderia alcançar todas as reparações:

— Talvez a Justiça fosse Anderson e Marielle presentes.

O processo que levou à prisão de Lessa e Queiroz tem 13.680 folhas, 68 volumes e 58 anexos. Ronnie assumiu ter disparado contra Marielle, alvo da ação, e contra o motorista Anderson, enquanto Élcio de Queiroz confessou que era o condutor do Cobalt prata usado no ataque.

Marielle Franco, vereadora pelo PSOL, foi assassinada no bairro do Estácio, no Rio de Janeiro, na noite de 14 de março de 2018. Ela voltava de um encontro de mulheres negras na Lapa, quando seu carro foi alvejado com vários disparos. O motorista Anderson Gomes também foi atingido e morreu.

Uma assessora da parlamentar foi ferida por estilhaços. O crime ganhou repercussão internacional e deu início a uma complexa investigação, envolvendo várias instâncias policiais. Depois de muitas reviravoltas, chegou-se à prisão dos ex-PMs Ronnie Lessa e Elcio Queiroz.

Neste ano, foram presos os irmãos Chiquinho e Domingos Brazão, apontados como mandantes dos assassinatos, além do ex-chefe da Polícia Civil Rivaldo Barbosa. O processo que envolve os supostos mandantes tramita no Supremo Tribunal Federal (STF).

Quem são os réus

Ronnie Lessa

Foi preso em março de 2019 por suspeita de participação nos assassinatos de Marielle Franco e Anderson Gomes. Foi expulso da PM e condenado, em 2021, a quatro anos e meio de prisão pela ocultação das armas que teriam sido usadas no crime, que nunca foram recuperadas. Ele é réu confesso dos homicídios.

Em sua delação premiada, apontou os irmãos Chiquinho Brazão, deputado federal (sem partido-RJ), e Domingos Brazão, conselheiro do Tribunal de Contas do Estado do Rio, como os mandantes do assassinato de Marielle.

Élcio de Queiroz

Ex-sargento da Polícia Militar, foi expulso da corporação em 2015. Está preso desde 2019 pelos assassinatos de Marielle e Anderson. Dirigia o carro usado na emboscada e participou da ocultação de provas.

Em delação premiada, Queiroz apontou Lessa como autor dos disparos. O ex-sargento disse que só descobriu que a vereadora era o principal alvo quando estavam de campana na calçada, esperando que ela deixasse o evento do qual participava. Também relatou que, em dezembro de 2017, Lessa já teria tentado executar Mariele.

Fonte: GZH
Lessa assumiu ter disparado contra a vereadora, alvo da ação, e contra o motorista dela, enquanto Queiroz confessou que era o condutor do Cobalt prata usado no ataque
Queiroz (E) e Lessa (D) foram presos em 2019. Montagem sobre fotos: Reginaldo Pimenta / Agência O Dia/Estadão Conteúdo
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