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29/10/2024 | 14:14 | Polícia

Monitor de comunidade terapêutica é preso por suspeita de agredir, torturar e manter pacientes em cárcere privado

Mais de 20 internos relataram ter sido espancados, algemados e sedados na instituição da Região Metropolitana, que foi interditada na segunda-feira. Proprietário foi detido no mesmo dia em outra clínica da qual é dono, em Cidreira, no Litoral Norte

Mais de 20 internos relataram ter sido espancados, algemados e sedados na instituição da Região Metropolitana, que foi interditada na segunda-feira. Proprietário foi detido no mesmo dia em outra clínica da qual é dono, em Cidreira, no Litoral Norte
Clínica no bairro Fiúza, em Viamão, foi interditada na segunda-feira (28). Polícia Civil / Divulgação

Uma comunidade terapêutica que atende dependentes químicos em Viamão foi interditada por suspeita de agressão, tortura e cárcere privado aos pacientes. monitor do local foi preso

A ação ocorreu na tarde de segunda-feira (28), no bairro Fiúza. Conforme a delegada Jeiselaure de Souza, da 1ª Delegacia de Polícia de Viamão, mais de 20 internos relataram ter sido espancados, algemados e sedados. Medicamentos seriam prescritos sem receita, e as vítimas, agredidas com tapas e socos.

— Alguns dos internos sofreram fraturas. Pelo menos quatro deles tiveram que ser levados pelo Samu para receber atendimento —  afirma a delegada.

Além das agressões, os pacientes eram submetidos a condições insalubres, alimentados com produtos sem procedência. Foram encontrados no local 22 pacotes de carne de gado sem prazo de validade e sem identificação, e a carcaça de um tatu, que teria sido morto e congelado para consumo. As vítimas alegam que eram forçadas a comer alimentos estragados.

Conforme a polícia, a clínica tinha alvará de funcionamento, concedido pela prefeitura de Viamão, e operava de forma legal. Procurado, o município informou, em nota, que "o alvará emitido para aquele endereço se referia a um estabelecimento já fechado". Acrescentou que durante fiscalização, em setembro, "fiscais da Secretaria detectaram a reabertura do estabelecimento com novos proprietários e notificaram os responsáveis" (leia a íntegra da nota abaixo). 

Os internos foram encaminhados para outra clínica da cidade pela Secretaria Municipal de Assistência Social.

Proprietário foi preso em Cidreira

A ação na Região Metropolitana foi um desdobramento da interdição de uma outra clínica, em Cidreira, que, segundo a polícia, praticava crimes semelhantes. O local pertencia ao mesmo proprietário, que foi preso também na segunda-feira, na cidade do Litoral Norte. Os nomes dos suspeitos presos não foram divulgados. 

Um dos internos da clínica de Cidreira teria sido encaminhado contra a vontade para a unidade de Viamão, algemado, segundo relato da vítima,  que diz ter sido agredida durante todo o trajeto.

— Estamos investigando agora se há outros locais desse mesmo dono em outras partes do Estado — complementa Jeiselaure.

O que diz a prefeitura de Viamão

"A Prefeitura de Viamão, por meio da Secretaria de Saúde, informa que o alvará emitido para aquele endereço se referia a um estabelecimento já fechado. Durante o trabalho de fiscalização de rotina, no mês de setembro, fiscais da Secretaria detectaram a reabertura do estabelecimento com novos proprietários e notificaram os responsáveis para comparecerem no setor de Vigilância Sanitária. Os proprietários estiveram em 27/9, tiraram as dúvidas e tinham prazo para alteração das documentações de 30 dias. A Secretaria ressalta que nenhuma denúncia foi registrada nos canais de atendimento oficiais. Todos os pacientes já foram retirados do local, sendo alocados em outras instituições ou em casa de familiares."

Fonte: GZH
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