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27/09/2024 | 08:45 | Polícia

Policial que perdeu o pai prende responsável pelo crime 25 anos depois em Roraima

Givaldo José Vicente de Deus foi assassinado com um tiro em 1999; condenado pelo crime, Raimundo Alves Gomes, ficou foragido por oito anos. Gislayne Silva de Deus, filha mais velha de Givaldo, se formou em Direito, prestou concurso e passou a trabalhar com investigações na Delegacia de Homicídios

Givaldo José Vicente de Deus foi assassinado com um tiro em 1999; condenado pelo crime, Raimundo Alves Gomes, ficou foragido por oito anos. Gislayne Silva de Deus, filha mais velha de Givaldo, se formou em Direito, prestou concurso e passou a trabalhar com investigações na Delegacia de Homicídios
Responsável pelo crime foi preso na quarta-feira (25) pela Polícia Civil. Divulgação / Polícia Civil

escrivã Gislayne Silva de Deus, 36 anos, que teve o pai mortoparticipou, na últina quarta-feira (25), de uma operação da Polícia Civil de Roraima que resultou na prisão do acusado pelo assassinato25 anos após o crime. Segundo Gislayne, o desfecho representa o fim de uma longa jornada para a família. As informações são do g1.

Ela, a mais velha dos cinco filhos de Givaldo José Vicente de Deustinha apenas nove anos quando o pai foi morto, aos 35, vítima de um tiro à queima-roupa disparado por Raimundo Alves Gomes, que cobrava uma dívida de R$ 150, em 1999.

Condenado a 12 anos de prisão pelo homicídio, Raimundo estava foragido desde 2016, quando foi expedido o primeiro mandado de prisão contra ele.

— Com a prisão dele, lavei minha alma e a de toda minha família. Foi o encerramento de um ciclo. Hoje temos paz e o sentimento de que a justiça foi feita — disse Gislayne, emocionada.

Na quinta-feira (26), Raimundo Gomes foi submetido a uma audiência de custódia, que confirmou a sua prisão. Ele foi encaminhado para o sistema prisional de Roraima. A defesa informou que, por enquanto, não irá se pronunciar sobre o caso.

O caso

prisão de Raimundo Alves Gomes, efetuada por policiais da Delegacia Geral de Homicídios, ocorreu na noite da última quarta-feira (25), em uma área de chácaras no bairro Nova Cidade, zona oeste de Boa Vista (RR). Um vídeo registrou o momento em que Gislayne ficou frente a frente com o homem acusado de matar seu pai.

crime aconteceu em 16 de fevereiro de 1999, no bairro Asa Branca, também na zona oeste de Boa Vista, durante uma discussão por uma dívida de R$ 150 que a vítima, Givaldo José Vicente de Deus, tinha com Raimundo. Após o disparo fatal, ele ainda levou a vítima ao hospital, mas fugiu em seguida. Gislayne e suas quatro irmãs ficaram órfãs — a mais nova tinha apenas dois anos e cresceu sem lembranças do pai.

Raimundo foi julgado e condenado 14 anos após o crime, em 2013, pelo Tribunal do Júri do Tribunal de Justiça de Roraima (TJRR), recebendo uma sentença de 12 anos de prisão pelo homicídio. O caso transitou em julgado no mesmo ano.

Segundo o advogado Bruno Caciano, presidente da Associação Nacional da Advocacia Criminal (Anacrim) em Roraima, o crime de homicídio prescreve após 20 anos, a partir da sentença condenatória, caso a pena seja superior a 12 anos. Como a pena de Raimundo foi de 12 anos, o prazo de prescrição seria de 16 anos a contar da conclusão do julgamento, ou seja, até 2029 — faltando ainda cinco anos para a prescrição do crime.

Filha se tornou policial

Aos 18 anos, em 2007, Gislayne iniciou o curso de Direito em uma faculdade particular e, sete anos depois, formou-se advogada. Embora não tivesse planos de seguir carreira policial, acabou prestando concurso e foi aprovada.

Em 2022, ingressou na polícia penal de Roraima, onde trabalhou na Penitenciária Agrícola de Monte Cristo e no Departamento do Sistema Prisional (Desipe), inclusive durante sua gravidez. Gislayne revelou que, enquanto trabalhava em unidades prisionais, frequentemente imaginava o momento em que veria o assassino de seu pai finalmente preso.

— Quando eu era policial penal, eu imaginava sempre ele chegando lá para cumprir a pena dele — afirmou.

Um ano depois, Gislayne foi aprovada no concurso público da Polícia Civil e, em 19 de julho de 2024, assumiu o cargo de escrivã. Ao ingressar na corporação, fez um pedido específicoser designada para a Delegacia Geral de Homicídios (DGH), acreditando que, a partir dessa unidade, poderia localizar e prender o assassino de seu pai.

Na DGH, ela reuniu informações sobre o paradeiro de Raimundo e encontrou o último mandado de prisão, expedido em 2019 pela Justiça de Roraima.

Persistência

Para Gislayne, a condenação só foi possível graças à persistência da família, que nunca abandonou a busca por justiça. Em 2022, um tio dela chegou a avistar Raimundo Alves Gomes em Boa Vista, mas, como ela ainda não fazia parte da Polícia Civil na época, as tentativas de localizá-lo não tiveram sucesso.

— Essa nossa participação de buscar, ir atrás, não deixar ele ficar impune já tem um bom tempo. Se nós não estivéssemos lá não teria tido júri e o promotor teria pedido absolvição. Então, a condenação foi em razão da gente não deixar realmente passar impune — declarou a escrivã.

Agora, ela sente que, finalmente, a justiça foi feita.

— Isso não vai trazer nosso pai de volta, mas ele (o assassino) vai cumprir a pena que deveria ter cumprido há muitos anos — finalizou.

Fonte: GZH
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