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03/09/2024 | 06:32 | Polícia

''É uma justiça tão demorada que tem gosto de injustiça'', diz pai de vítima da boate Kiss sobre prisão dos réus

Ministro do STF reverteu anulação de júri nesta segunda. Ex-presidente de associação de familiares de vítimas, Flávio Silva considera que fato traz alívio, mas ainda aguarda pelo trânsito em julgado do caso

Ministro do STF reverteu anulação de júri nesta segunda. Ex-presidente de associação de familiares de vítimas, Flávio Silva considera que fato traz alívio, mas ainda aguarda pelo trânsito em julgado do caso
Elissandro Spohr, sócio da Kiss, foi preso em Porto Alegre. Renan Mattos / Agencia RBS

O ex-presidente da Associação dos Familiares de Vítimas e Sobreviventes da Tragédia de Santa Maria (AVTSM) e pai de uma das vítimas Flávio Silva disse que as famílias receberam com alívio a decisão do ministro Dias Toffoli de validar o júri de dezembro de 2021 e pedir a prisão dos quatro réus pelo incêndio da boate Kiss.

Embora o fato restaure nos familiares a crença na Justiça, segundo Silva, a espera de 11 anos por respostas deixa um gosto amargo.

— É uma justiça que é tão demorada que ela tem um gosto de injustiça. Então, a gente não sentiu nenhuma emoção especial. Foi só aquele sentimento de que as coisas estão se encaixando e, com certeza, elas vão voltar para o lugar — disse Flavio, em entrevista ao programa Estúdio Gaúcha, da Rádio Gaúcha, nesta segunda-feira (2).

Flavio é pai de Andrielle Righi da Silva, que morreu na tragédia, aos 22 anos. Outras 241 pessoas morreram e 636 ficaram feridas na tragédia de 27 de janeiro de 2013, em Santa Maria.

A defesa dos réus havia apresentado um pedido para que o Supremo Tribunal Federal (STF) adiasse a apreciação dos recursos em razão da enchente que atingiu o Rio Grande do Sul. Pelas famílias, entretanto, o despacho já poderia ter sido avaliado.

— Várias famílias de vítimas perderam praticamente tudo que tinham dentro de casa com essa tragédia climática. Mesmo assim, elas queriam que o julgamento acontecesse de imediato. Para a gente, se tivesse que voltar a encarar um novo júri, a gente levantaria a cabeça e faria isso — disse o ex-presidente da AVTSM.

Mesmo com a validação do julgamento e após a prisão dos réus ser decretada, ainda existem recursos a serem julgados. Entre eles, está um solicitado pelo advogado Jader Marques, que representa  Elissandro Spohr, um dos sócios da boate, para redução da pena.

— A gente não tem motivo nenhum para comemorar e tem que estar com os pés no chão. É muito cedo. Falei com diversos familiares hoje, porque a gente quer justiça. E a justiça ainda não chegou. Ela só vai aparecer quando (houver) o trânsito em julgado nesse processo. Então, as famílias todas, embora estejam sentindo um alívio com essa decisão do STF, a gente ainda tem muitas precauções com o que vem pela frente — avaliou Flavio.

Trânsito em julgado é o termo jurídico para quando o julgamento de um fato é concluído e não há mais possibilidade de recursos.

A busca pelo encerramento do caso, para o pai de Andrielle, significa uma tentativa de dar uma resposta à sociedade e um novo começo para as famílias.

— Os réus, querendo ou não, vão ter que pagar essa dívida que eles têm com a sociedade para depois também tocarem a vida deles em diante, como nós vamos tentar fazer com as nossas. Só que eles têm a possibilidade de continuar a vida deles em diante com as famílias. Conosco já vai ser diferente. A minha filha não vai voltar — relatou.

Até esta publicação, havia confirmação das prisões de três dos quatro condenados: Elissandro Spohr, Luciano Bonilha Leão e Marcelo de Jesus dos Santos. A defesa de Mauro Hoffmann confirmou que estava ciente da ordem de prisão e disse que o cliente estava "cumprindo os trâmites", mas a detenção dele não foi confirmada.

Procuradas por Zero Hora, as defesas se disseram surpresas com a decisão. Advogados afirmaram que uma reunião entre as defesas e o ministro Dias Toffoli, do STF, estava sendo agendada para este mês.

Fonte: GZH
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