14/08/2024 | 05:31 | Polícia
Os soldados Raul Veras Pedroso e Cléber Renato Ramos de Lima e o sargento Arleu Júnior Cardoso Jacobsen respondem por homicídio triplamente qualificado. Eles foram ouvidos nesta terça-feira, na última audiência da fase de instrução. Juiz decidirá sobre pronúncia ou não dos réus
A Vara Criminal de São Gabriel interrogou nesta terça-feira (13) os três policiais militares acusados de matar Gabriel Marques Cavalheiro, 18 anos, em agosto de 2022. Essa foi a última audiência da chamada fase de instrução, quando são elencadas as provas e ouvidos acusados e testemunhas.
Os soldados Raul Veras Pedroso e Cléber Renato Ramos de Lima e o sargento Arleu Júnior Cardoso Jacobsen respondem por homicídio triplamente qualificado — motivo fútil, meio cruel e recurso que dificultou a defesa da vítima. O trio está detido no Presídio Policial Militar. Todos negam o crime.
As defesas solicitaram a revogação da prisão preventiva e prazo para complementação de uma nova prova. O juiz Ham Martins Regis deu dois dias para análise.
Após o interrogatório, o juiz abre espaço para manifestação da defesa e da acusação antes de decidir sobre pronúncia ou não dos réus. Caso ocorra a sentença de pronúncia, os acusados serão julgados pelo Tribunal do Júri, responsável por julgar casos de crimes dolosos contra a vida, em data a ser marcada.
Contatadas pela reportagem, as defesas ainda detam retorno.
Na Justiça Militar, os três policiais foram julgados e absolvidos pelo crime de ocultação de cadáver. Um deles foi condenado a um ano de reclusão por falsidade ideológica.
Natural de Guaíba, Gabriel Cavalheiro — que tinha se mudado para São Gabriel havia apenas 15 dias — foi abordado no começo da madrugada de 13 de agosto, no bairro Independência. Após ser levado em uma viatura pelos três PMs, não foi mais visto. Uma semana depois, o corpo dele foi encontrado dentro de um açude, a dois quilômetros de onde ocorreu a abordagem.
Na ocorrência, os policiais registraram que teriam revistado Gabriel e o liberado.
Com o desaparecimento, foram ouvidos em inquérito policial militar e admitiram ter levado o jovem para a localidade de Lava Pés. Alegando inocência, as defesas disseram que foi o jovem quem teria pedido para ser deixado naquele local, pois estaria procurando a casa de familiares.