06/08/2024 | 05:48 | Polícia
São 67,4 ocorrências a cada 100 mil habitantes, índice abaixo apenas de Porto Alegre, com taxa de 222,7, e Caxias do Sul, com 68,8. Casos podem estar ligados ao tráfico de drogas
Passo Fundo é o terceiro município gaúcho com o maior número de furtos e roubos de celulares para cada 100 mil habitantes. O levantamento, feito pela Secretaria da Segurança Pública do Estado (SSP-RS), aponta uma taxa de 67,4 ocorrências na cidade do norte do RS em 2024.
Passo Fundo está abaixo apenas da capital Porto Alegre, com 222,7 registros, e Caxias do Sul, com 68,8 ocorrências a cada 100 mil habitantes. Mas apesar de ocupar a terceira colocação, os números apresentam uma queda dos casos na cidade em relação ao mesmo período de 2023.
Os indicadores de criminalidade acompanhados pela Brigada Militar mostram uma queda próxima de 14% nos furtos, de 137 no primeiro semestre de 2023 para 118 neste ano. O mesmo aconteceu com os casos de roubos, que caíram pela metade: foram 43 ocorrências em 2023, e 21 em 2024.
A maioria ocorre no fim de semana, como analisa o subcomandante do 3°RPMon, major Jeferson Miguel da Silva.
— Temos operações mensais e monitoramos locais onde há maior registro de roubo a pedestres para intensificar o policiamento. Geralmente, essas ocorrências são aos finais de semana e nas regiões centrais, no fim da noite. São em pequenos deslocamentos, do carro até a casa ou em trajetos a pé — pontuou.
A incidência dos casos pode estar ligada a um terceiro crime: o tráfico de drogas, apontam especialistas em segurança. Os aparelhos de celular são usados como moeda de troca e, uma vez dentro deste universo, alimentam um mercado ilegal de venda de produtos roubados ou furtados.
Para combater os casos seria necessário primeiro pensar em políticas para deter o tráfico, como aponta o professor de direito penal da Universidade de Passo Fundo (UPF) e advogado criminalista, Luiz Fernando Pereira Neto.
— Temos uma epidemia social de consumo de drogas, que tem como consequência os crimes patrimoniais. Problemas complexos exigem soluções complexas. Precisamos pensar fora da caixa, com políticas alternativas para enfrentamento do consumo e da venda, sem abrir mão da repreensão — avalia.
A análise reflete o cenário de Passo Fundo. Segundo o major da Brigada Militar, os aparelhos sempre são encontrados durante operações de combate ao tráfico.
— Quando há operações, sempre apreendemos celulares entre os materiais que encontramos nos pontos de venda de droga. Grande parte dos produtos de roubo é utilizado para troca nos pontos de tráfico, e isso alimenta o comércio informal de produtos sem procedência — disse Jeferson Miguel da Silva.
* Dados: SSP, de janeiro a junho de 2024
Entre as recomendações das autoridades, é preciso tomar cuidado ao manusear o aparelho em locais públicos, manter mochilas e bolsas fechadas e, caso aconteça, não reagir ao assalto.
— O primeiro efeito que a droga tira é o senso de certo e errado. O entorpecido não pensa em seus valores. Então, nunca reaja a um assalto porque normalmente a pessoa esta entorpecida, e não podemos esperar outra reação se não o desespero — aconselha o professor Neto.
A recomendação de não reagir também é compartilhada pelo major Jeferson, que ainda acrescenta outras dicas:
— Esteja sempre acompanhado de outras pessoas e cuide os horários que estão se deslocando. Fazer isso quando há bastante movimentação, em locais bem iluminados — finalizou.