28/07/2024 | 07:21 | Polícia
De janeiro a junho, foram registradas 37.821 ocorrências de golpes nos municípios gaúchos. No mesmo período, em 2023, tinham sido 45.899 casos. Os dados são da Secretaria da Segurança Pública (SSP) do Estado
Nos primeiros seis meses deste ano, o Rio Grande do Sul teve queda nos registros de estelionato. A redução é de 17,6% quando comparado com o mesmo período do ano passado. Ainda assim, foram comunicadas à polícia de janeiro a junho deste ano 37.821 ocorrências de golpes. Ou seja, a média é de 207 fatos por dia, ou um caso a cada sete minutos.
As campanhas de prevenção contra os estelionatos e as investigações para identificar quem são os criminosos por trás de trapaças em série são apontados como fatores essenciais para a diminuição dos números de vítimas.
— Essa redução nos estelionatos no RS vem do enfrentamento da segurança pública a esses casos, especialmente as investigações da Polícia Civil, que têm levado à prisão de muitas pessoas pelos golpes dos Pix, dos nudes, e pelos golpes gerais que existem nessa área. Estão sempre sendo criados novos. A divulgação também ajuda as pessoas a não serem tão vitimadas. As pessoas vão tomando consciência: a polícia trabalha, a imprensa divulga, a sociedade toma conhecimento e vai caindo menos nesses golpes, e tomando maiores cuidados — avalia o chefe da Polícia Civil, delegado Fernando Sodré.
Neste ano, o Estado viveu outro fator relacionado aos golpes, que foram os estelionatos envolvendo a enchente que atingiu o RS. Para combater esse tipo de crime, chegou a ser criada a Força-Tarefa Cyber, que tem como foco os golpes virtuais e o combate à disseminação de fake news.
Como resultado dessas apurações, o Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic) realizou série de prisões de suspeitos, em diferentes Estados do país. Foram cumpridos mandados em Santa Catarina, São Paulo, Fortaleza, Minas Gerais e Goiás.
Num dos casos, os policiais realizaram buscas numa cobertura de alto padrão na beira-mar em Balneário Camboriú, no litoral catarinense. O imóvel, com aluguel de R$ 30 mil, foi apontado pela polícia gaúcha como espécie de QG usado para aplicar golpes pela internet. Entre as trapaças, estava a que simulava campanhas de doações para o RS, para auxiliar as vítimas das inundações. No apartamento, residia um adolescente de 16 anos investigado pelo esquema.
— A gente tem trabalhado muito fortemente contra esses golpes. Estamos estudando estruturas próprias para a Polícia Civil para crescer no enfrentamento à criminalidade digital. Temos feitos cursos com nossas equipes, trabalhado na aquisição de ferramentas de inteligência e formação de equipes especializadas, para que a gente possa cada vez mais enfrentar esse tipo de crime — afirma Sodré.
Morador de Arroio Grande, no sul do RS, o professor Ivan Nunes Gonçalves, 56 anos, relata ter sido vítima de golpe ao tentar comprar um ar-condicionado pela internet. O educador realizou a compra pelo site Mercado Livre. No entanto, as duas primeiras tentativas de aquisição do aparelho tiveram os pagamentos por Pix estornados.
— Me estornaram o dinheiro. Olhei minha conta e estava lá. Me mandaram (mensagem) pela plataforma, que a compra não tinha sido efetivada. Mas que se eu quisesse poderia pagar por boleto, que geravam QR Code, e pagava por boleto — explica Ivan.
O professor afirma que estranhou a proposta — feita por meio de mensagem dentro do app, pelo vendedor — e decidiu conferir as informações do boleto. Ele verificou o código do documento e consultou o CNPJ na Receita Federal. Segundo o usuário, o número era compatível com o indicado no site, assim como a razão social. Diante disso, decidiu pagar o boleto.
— No fim da tarde, chegou outro e-mail, dizendo que a compra não tinha sido efetivada, tinha instabilidade no sistema. Poderia conferir minha conta, não tinha entrado o boleto. Se eu quisesse continuar, que pagasse novamente o boleto. Olhei minha conta, e não tinha sido descontado o primeiro boleto — recorda.
Parte das conversas ocorreu pelo WhatsApp, de uma conta que se identificava como sendo do Mercado Livre. O professor diz que novamente consultou o código e que as informações eram compatíveis, então decidiu fazer o pagamento. Logo depois, no entanto, teve os dois boletos descontados na conta. Gonçalves diz que quando percebeu o golpe contatou o site, o banco onde mantém conta e a Polícia Civil. Mas até o momento, não recebeu o valor de R$ 2,6 mil de volta e nem o aparelho de ar-condicionado.
— O golpe foi impressionante. Eles utilizam a plataforma, pegam teus dados. Ele me mandou um o boleto, com código de barras, pela plataforma. Não tem como não cair. Procuro sempre olhar CNPJ, razão social. Compro há muitos anos. Não sou inexperiente. É uma coisa impressionante, meus dados foram vazados. Estou apavorado. Será que não estão usando meus dados? Espero que outras pessoas não caiam — preocupa-se o professor.
ZH entrou em contato com o Mercado Livre, que informou que está estudando o caso e que vai tomar medidas cabíveis para auxiliar o consumidor lesado.
O Ministério da Educação (MEC) divulgou nota nesta semana enfatizando que as inscrições para o Programa Universidade para Todos (Prouni) são gratuitas. Isso aconteceu após um site falso para inscrições no programa ser retirado do ar. A página tinha identidade visual idêntica à da oficial.
O site solicitava pagamento de R$ 100 e tinha uma mensagem, informando que o inscrito seria desclassificado deste ano e das futuras edições, caso não pagasse a taxa. A cobrança de qualquer valor para inscrição no Prouni é ilegal. O canal exclusivo para inscrição é o Portal Único de Acesso ao Ensino Superior.
Fonte: Polícia Civil-RS