02/07/2024 | 06:35 | Polícia
Segundo o instituto, o número não é maior porque, em muitos casos, os familiares não compareceram para fazer a coleta do DNA. Três corpos foram localizados na última semana no Vale do Taquari, mas ainda não foram identificados
Mais de dois meses após o Rio Grande do Sul ser atingido pela enchente que vitimou, até o momento, 179 pessoas, o Estado ainda registra 33 desaparecidos. Segundo o Instituto-Geral de Perícias (IGP), apenas sete deles têm material genético de familiares coletados pelo órgão. Entre os motivos, de acordo com o IGP, estão o fato de as famílias ainda não terem comparecido para doar material e até mesmo não haver familiares dos desaparecidos disponíveis para fazer as doações. O número representa 21% do total de vítimas.
As coletas de DNA ocorrem, de forma exclusiva, no Departamento Médico-Legal (DML) de Porto Alegre e nos Postos Médico-Legais (PMLs) de municípios atingidos no Interior, sempre de segunda à sexta-feira, das 8h às 18h. Na Capital, o DML atende à noite e em finais de semana, através do regime de sobreaviso.
Dos 33 desaparecidos, 22 são do Vale do Taquari, onde três corpos foram encontrados na última semana nas cidades de Teutônia, Roca Sales e Arroio do Meio, mas não foram identificados. À reportagem de Zero Hora, o coordenador da Defesa Civil Regional, Claiton Marmitt, disse que há vítimas de afogamento e soterramentos que ainda não foram localizadas, e por isso, as buscas seguirão por tempo indeterminado nos municípios atingidos.
Entre as cidades que registram desaparecidos no Vale do Taquari, também estão Cruzeiro do Sul, Lajeado, Estrela, Poço das Antas, Marques de Souza, Relvado e Encantado.
Na serra gaúcha, em Bento Gonçalves, quatro pessoas, todas mulheres, seguem desaparecidas, mais de dois meses após a enchente. Equipes do Corpo de Bombeiros seguem com as buscas e as manterão por tempo indeterminado. Um perímetro foi delimitado, mas há um indício, segundo o capitão da corporação, Gustavo Kist, de que os corpos podem ter sido arrastados pelo Rio das Antas.
— Tivemos 298 bombeiros trabalhando em Bento e utilizamos diversas técnicas para localizar os desaparecidos. Não há, no momento, possibilidade de encerramento das buscas. O perímetro está delimitado para encontrarmos estas mulheres, que têm entre 40 e 80 anos. O local onde desapareceram já foi exaurido, por isso delimitamos o cenário para o Rio das Antas — disse.
A vítima desaparecida em Caxias do Sul, segundo os bombeiros, foi levada pela correnteza do arroio Pinhal, na região de Galópolis. Buscas foram feitas em um trecho de 17,2 quilômetros, até a ligação com o Rio Caí, de acordo com o tenente-coronel Márcio Müller Batista, capitão da corporação. Agora, há um perímetro de 20 quilômetros delimitado, na região do rio, para os bombeiros seguirem com a procura. As ações devem ser encerradas nas próximas semanas, mesmo que o corpo não seja encontrado, de acordo com a corporação.
Em Barros Cassal, no Alto da Serra do Botucaraí, as investigações sobre o desaparecimento de um homem continuam. A Polícia Civil trabalha com a possibilidade de a vítima ter sido arrastada pela água ou por outros fatores, já que ele era morador em situação de rua. Quando desapareceu, segundo a Polícia Civil, o homem estava próximo a uma sanga. Há cerca de 10 dias, uma ossada foi encontrada na região e agora está sendo feito um levantamento genético para identificação da vítima, junto ao Departamento Médico-Legal, em Porto Alegre.
Nos municípios de Canoas e Porto Alegre, na Região Metropolitana, e São Leopoldo, no Vale do Sinos, as investigações envolvendo os desaparecidos continuam. O cenário também se repete em Agudo, na região Central. Porém, apesar de o município constar na lista da Defesa Civil estadual com um desaparecimento, a Polícia Civil, por meio da delegada Jaqueline Pellegrini, aponta que o caso não está sendo investigado como decorrência das enchentes, pois ocorreu na noite anterior ao impacto da chuva.
— As investigações continuam em andamento, porém ainda sem informações sobre a localização da vítima. Estamos trabalhando com todas as hipóteses, apesar de ter havido buscas próximas do local em que ela foi vista pela última vez na cidade, sem novas provas — aponta.