Os bloqueios que
acontecem em estradas do Rio Grande do Sul causam falta de combustível em cerca de 70% dos postos no interior do estado, segundo o Sindicato do Comércio Varejista de
Combustíveis e Lubrificantes (Sulpetro). Alguns consumidores chegaram a dormir na fila para tentar encher o tanque.
Devido aos protestos, vários
estabelecimentos não recebem gasolina, etanol e óleo diesel. Também pela falta do produto, há desabastecimento e escassez de mercadorias que seriam levados
para diversas cidades.
Nesta segunda-feira (2), caminhões-tanque carregados com combustíveis foram escoltados por equipes da Polícia
Rodoviária Federal na Região Sul. Os veículos saíram da refinaria de Petróleo Riograndense e foram para Pelotas, onde chegaram à tarde.
"Eu acho isso aí um absurdo. Eu fiquei sem dormir, passei a noite inteira aqui”, desabafou a dona de casa Maria Goulart, que afirmou ter ficado mais de 20
horas esperando para abastecer.
Em Rio Grande, vários postos fecharam por falta de combustível. Nos locais que ainda tinham o produto, a espera por
abastecimento era de quase duas horas. Por causa da grande procura, a gasolina que ainda resta não deve durar muito.
Em Ijuí, no Noroeste, a maioria dos
postos ainda estava desabastecida até o início da noite. A gasolina que chegou durou apenas algumas horas. "Agora já acabou meu produto e não sei quando vou
receber", disse a gerente Josiane Paim.
A cidade tem duas distribuidoras de combustíveis. Em uma delas, a saída de veículos foi bloqueada. No
entanto, uma liminar expedida pelo juiz da 1ª Vara Cível Guilherme Mafacioli Correa possibilita que os caminhões que saem carregados da distribuidora e possam entregar o
produto em segurança através de escolta policial.
Um comboio com 19 veículos de carga, acompanhado pela Brigada Militar, seguiu pela BR-285 para
abastecer cidades da região. Cinco caminhões-tanque chegaram a Santa Rosa, mas apenas cinco dos 22 postos do município receberam gasolina.
Em
Passo Fundo, no Norte, o protesto de caminhoneiros em frente ao terminal das distribuidoras de combustíveis, impediu a saída de caminhões para fazer a entrega em postos
da região.
A mobilização dos caminhoneiros continua forte no estado, apesar das determinações judiciais para que os pontos sejam
desocupados. No domingo (1º), todas as estradas, federais e estaduais, haviam sido liberadas. No entanto, o movimento voltou e novos bloqueios foram registrados.
Pelo oitavo dia consecutivo, há pontos fechados em estradas estaduais e federais no Rio Grande do Sul. As interrupções causam desabastecimento e escassez de
mercadorias. Já houve prisões por vandalismo e um caminhoneiro, de 38 anos, morreu atropelado durante um ato em São Sepé, na Região Central.