19/03/2024 | 10:42 | Polícia
Local que era usado como depósito por grupo criminoso foi descoberto após trabalho do Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP)
Enquanto investigava uma facção envolvida nos homicídios no Estado, a Polícia Civil descobriu no Vale do Taquari um esconderijo onde era armazenado um lançador de foguetes, capaz de derrubar aeronaves e tanques. A arma de guerra foi apreendida numa casa, que seria usada como depósito da organização criminosa, no município de Lajeado. A suspeita é de que o armamento fosse empregado pelo grupo para causar intimidação nos traficantes rivais. A apreensão ocorreu durante a Operação Efeito Colateral, do Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) na segunda-feira, e foi divulgada na manhã desta terça-feira (19).
O lançador de foguetes estava escondido junto de outros armamentos apreendidos: um fuzil de calibre 556, também com alto poder de fogo, uma pistola e dois revólveres. As armas seriam de uma facção criminosa nascida no Vale do Sinos e que se ramificou pelo Estado, por meio do tráfico de drogas. O grupo é um dos envolvidos nos conflitos que geraram aumento dos homicídios em Caxias do Sul nos últimos meses.
— Foi apreendida ontem (segunda-feira) uma arma de guerra que estava na mão de criminosos. Isso é resultado de uma investigação de 40 dias. Esse tipo de arma é utilizado em guerras no mundo afora. Vamos avançar na investigação para apurar a origem — afirma o delegado Thiago Carrijo, titular da 6ª DHPP.
A apreensão foi resultado das investigações que se iniciaram na Serra, para combater os homicídios na região. Uma equipe da 6ª Delegacia de Homicídios de Porto Alegre, que integrou o reforço policial em Caxias do Sul conseguiu mapear um dos esconderijos onde o grupo criminoso estaria armazenando armas. A suspeita era de que esse depósito fosse um dos pontos que poderia servir de abastecimento para a facção na Serra.
Assim que conseguiram identificar o local exato, os policiais foram até o imóvel, na expectativa de encontrar armamentos. Ao chegarem no imóvel, situado no bairro Hidráulica, os agentes do DHPP se depararam inicialmente com as outras armas, até descobrirem o lança-foguetes escondido. A localização causou surpresa até mesmo na equipe que realizava as buscas. O míssil, que é a munição disparada por meio do lançador, não foi encontrado no local. A polícia ainda investiga se os criminosos tinham acesso a essa munição, e se arma realmente poderia ser usada, ou se estava em posse do grupo como forma de causar medo. Ninguém foi preso na casa onde foram apreendidos os armamentos.
— Trata-se de uma arma de guerra, apreendida na área urbana. É uma arma dificilmente apreendida, algo muito improvável de se encontrar. Entendemos que eles pretendiam demonstrar poder e causar terror. A arma seria usada como forma de intimidação — afirma o diretor do DHPP, delegado Mario Souza.
Origem
A origem da arma ainda precisará ser apurada pelas forças policiais, que também investigam agora quem foram os responsáveis por depositar os armamentos no local.
— Esse tipo de armamento é obviamente proibido, é de uso de Forças Armadas mundiais. A forma e de onde ele foi desviado ainda precisa ser esclarecido. Vamos informar o Exército Brasileiro sobre esta apreensão — explica o diretor do DHPP.