02/03/2024 | 05:07 | Polícia
Ação em São Paulo, Rio de Janeiro, Paraná e Santa Catarina decorreu de investigações coordenadas pela equipe da 3ª DP do município da Grande Porto Alegre
Operação das polícias civis de São Paulo, Rio de Janeiro, Santa Catarina e Paraná nesta quinta-feira (29) definiu o desfecho de uma investigação realizada ao longo dos últimos meses no Rio Grande do Sul. Denominada Operação Illusio II, a ação prendeu sete integrantes de uma quadrilha suspeita de causar prejuízo de R$ 600 mil a dois idosos, em Canoas, na Região Metropolitana, com o golpe do bilhete premiado.
Dos sete presos, três foram capturados no Paraná, dois receberam ordens de prisão em Santa Catarina, um foi detido em Rio de Janeiro e outro, em São Paulo. Os policias cumpriram 21 decisões cautelares, entre prisões temporárias, buscas para apreensão e bloqueios em contas bancárias.
Em Canoas, o trabalho foi coordenado por agentes da 3ª Delegacia de Polícia, sob o comando da delegada Luciane Bertoletti. Segundo ela, parte dos presos, cujas identidades não foram divulgadas, é nascida ou moradora do Rio Grande do Sul.
— Tomamos conhecimento da situação pelo registro de um idoso, que é empresário no município, e uma idosa, que atua como advogada. Eles conseguiram descrever com clareza e detalhes o período em que estiveram com os criminosos. A partir de imagens registradas em agências bancárias e casas de câmbio chegamos na quadrilha — apontou a delegada.
Luciane conta que, ao conseguir o dinheiro das vítimas, os criminosos buscavam converter em moeda estrangeira e em criptomoeda, circunstâncias que contribuíram para o rastreio das operações e determinação de medidas cautelares para bloqueio de dinheiro sob suspeito de origem ilícita.
De acordo com a polícia, para a execução do golpe, os criminosos fingem ser pelo menos três personagens. Um deles interpreta uma pessoa do interior, com baixo grau de instrução. Em alguns casos esse papel eÌ interpretado por uma mulher com barriga de grávida ou por um homem mais velho. Essa pessoa finge ter um bilhete premiado.
O dono do suposto bilhete premiado aborda a vítima, pedindo ajuda para encontrar um endereço, que naÌo existe. Ele, então, conta que ganhou o prêmio, mas que ainda precisa retirá-lo. Neste momento aparece o segundo personagem, uma pessoa bem vestida que escuta a conversa e oferece ajuda.
Esse segundo estelionatário alega ter um amigo que eÌ gerente de agência bancária. Ele faz uma ligaçaÌo, colocando o telefone no viva voz, onde um terceiro comparsa, passando-se por funcionário do banco, atende e confirma que o bilhete é premiado.
O suposto dono do bilhete premiado finge estar confuso e pede ajuda, dizendo que assim que receber a quantia, presentearaÌ cada um dos dois — a vítima e a pessoa bem vestida —com R$ 100 mil.
A viÌtima, então, eÌ convencida a embarcar no carro da pessoa bem vestido e, com o suposto dono do bilhete, os três seguem em direçaÌo ao banco onde ela possui conta.
Segundo as investigações, é neste ponto que acontece o golpe. Em alguns casos, o golpista bem vestido sugere que, para facilitar o processo, a viÌtima transfira o valor equivalente a sua parte do preÌmio — por exemplo, R$ 100 mil — para a conta indicada por ele. Dessa forma, quando o suposto dono do bilhete premiado recebesse o preÌmio teria de fazer apenas uma transfereÌncia de R$ 200 mil para a conta da vítima — que nunca acontece — e não duas de R$ 100 mil.
Em outros casos os estelionatário conseguem convencer a vítima a entregar o cartaÌo e dar sua, sob pretexto de tirar um extrato, e acabam fazendo todas as movimentações bancárias possíveis. A vítima aguarda no carro por receio de que a dupla vaÌ embora e ela perderia os R$ 100 mil prometidos.
O golpe, conforme a polícia, eÌ taÌo bem elaborado, que o estelionataÌrio, prevendo a desconfiança dos funcionaÌrios do banco, propoÌe que a viÌtima diga ao atendente que o dinheiro que ela estaÌ tentando transferir corresponde aÌ compra de um imóvel.