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08/02/2024 | 05:59 | Polícia

Dois meses após sumiço de jovem em Bento, Polícia Civil aguarda perícia para avançar em investigação

Hellen Natália de Freitas Lopes, 24 anos, foi vista pela última vez em um posto de combustíveis em 9 de dezembro de 2023

Hellen Natália de Freitas Lopes, 24 anos, foi vista pela última vez em um posto de combustíveis em 9 de dezembro de 2023
Hellen Natália de Freitas Lopes, 24 anos, foi vista pela última vez em 9 de dezembro de 2023 em um posto de combustíveis ao lado do namorado e de uma

Há dois meses, familiares de Hellen Natália de Freitas Lopes, 24 anos, buscam pistas sobre o desaparecimento da jovem, enquanto mantêm a esperança de encontrá-la com vida. Nati, como é chamada, é moradora de Bento Gonçalves e foi vista pela última vez em um posto de combustíveis em 9 de dezembro de 2023. Ela estava com o namorado, que está está preso temporariamente desde o dia 19 de dezembro por suspeita de envolvimento no desaparecimento dela. O nome do investigado não foi divulgado pela polícia. Uma amiga do casal também aparece nas imagens gravadas pelas câmeras de monitoramento do estabelecimento.

Naquele mesmo dia, Nati trocou mensagens com o pai, por volta das 23h, e depois disso, ele não teve mais notícias da filha. Engajados na tentativa de desvendar o que aconteceu com a jovem e, principalmente, saber onde ela está, os familiares realizaram uma manifestação em 13 de janeiro.

— São dois meses sem nenhuma pista da minha filha. É uma tristeza sem fim, e meus dias são de muita angústia e muita dor. Tenho certeza que ela não sumiu por conta própria, porque ela sempre manteve contato comigo. A Nati sumiu do dia para a noite, e ninguém viu nada? Não sabem de nada? Ainda tenho esperança, mas são dois meses de tortura sem ela  — desabafa o pai de Natália, Paulo Lopes, 54. 

Ele reitera o pedido para que qualquer informação seja repassada para a polícia:

 — Qualquer pista vai aliviar meu coração, que está aos pedaços. 

Polícia Civil trabalha com hipótese de feminicídio
De acordo com informações divulgadas pela Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (Deam) de Bento Gonçalves, o namorado de Natália tem histórico de agressões contra a vítima. Segundo a polícia, ele é considerado o principal suspeito de envolvimento no sumiço da jovem. Ao depor, o homem apresentou versões contraditórias às informações coletadas pela polícia, o que aumentou as suspeitas sobre a participação dele. 

Em análise dos peritos do Instituto-Geral de Perícias (IGP) na moradia e em veículos do suspeito, foram encontrados vestígios de sangue em um carro e sinais de possível material orgânico nos objetos submetidos à investigação. A coleta foi encaminhada para análise de DNA, que deve confirmar se o material pertence ou não a Hellen Natália. 

O delegado regional Augusto Cavalheiro Neto afirma que a Polícia Civil ainda aguarda o resultado da perícia genética.  O tempo sem contato com familiares e amigos leva a polícia a trabalhar com a possibilidade da jovem ter sido vítima de feminicídio. 

 — O  inquérito ainda está em andamento e todas as informações são apuradas. Estamos aguardando o resultado da perícia e dos exames de luminol e de DNA encontrados na casa e no carro do suspeito. A Polícia Civil ainda realiza buscas para encontrar a jovem viva ou o corpo da vítima, que devido ao tempo de desaparecimento se torna uma das hipóteses mais prováveis —aponta o delegado regional.

Cavalheiro ressalta ainda que o suspeito nega qualquer envolvimento no sumiço de Natália: 

— Ele afirma que não fez nada com a Natália, que não sabe nada, e nem onde ela poderia estar. 

Família soube de agressão após sumiço 
A madrasta Juremi Nuniz, 58, lembra que, há alguns meses, a jovem havia terminado o namoro, mas não contou à família que foi agredida pelo namorado. A informação só chegou a eles recentemente, durante as investigações sobre o desaparecimento de Natália.

— Ela mandou mensagem e me disse: "Ju, não deu certo meu namoro, acabou. Agora eu vou tocar a minha vida". Quando eles terminaram, a Nati se afastou dele por um tempo e, recentemente, reataram o namoro. Nós não sabíamos que ela sofreu agressão, ficamos sabendo que tem uma ocorrência da Lei Maria da Penha contra o namorado dela quando ela desapareceu — lamenta.

A tia materna de Natália Lidiani Pereira, 37, relata a angústia a cada notícia sobre encontro de um corpo na cidade ou região serrana.  

— Queremos uma resposta de onde está a Nati, independente do que aconteceu. Nós queremos Justiça, não queremos ser mais um caso esquecido por todos. Ela não merece isso e nós também não. Ela perdeu a mãe aos 13 anos, eu sou irmã da mãe dela e considerava a Natália como uma filha. Queremos encontrar ela com vida, temos esperança de encontrar ela bem, mas qualquer pessoa que some, aparece logo, e tem tanta maldade, que a cada dia temos que nos preparar para o pior. A gente quer uma resposta — afirma. 

Fonte: GZH
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