Para a família, só a religião explica como os três filhos homens da dona de casa Jucelaine
de Castro Brito sobreviveram a quatro acidentes graves. Jader de Castro Brito, de 26 anos, ainda se recupera da queda do oitavo andar de um prédio em Bento Gonçalves, 18 anos
após sobreviver a um capotamento. Além dele, seus irmãos mais novos Ralf Israel da Silva e Ciro Carlos Brito sobreviveram ao ataque de um leão e à
colisão entre um carro e caminhão, respectivamente.
Natural de Restinga Seca, Jader mora há quatro anos em Bento e há três trabalha
como pedreiro. Na última sexta-feira 13, ele carregava tijolos com um colega quando o elevador de carga despencou acima do oitavo andar de um prédio em
construção. Ele fraturou três vértebras da coluna, os dois calcanhares, sofreu uma lesão no pulmão e teve traumatismo craniano, mas sobreviveu sem
sequelas graves.
— Não é uma coisa boa de ser contada — diz Jader, com um sorriso.
Como aconteceu o acidente ele
não sabe ao certo. Jader conta que o elevador apresentava problemas e seria trocado no dia seguinte. Instantes antes da queda, lembra de ter passado pelo oitavo andar. Em algum ponto
antes do décimo andar a roldana trancou, estourando o eixo e fazendo com que os dois pedreiros despencassem junto com a carga de tijolos.
Quando foi retirado
do local por um colega, Jader afirmou que sentia dores nas costas. Depois disso foi levado para o Hospital Tacchini, onde ficou internado na UTI até sexta-feira passada. O pedreiro,
estudante do curso Técnico em Edificações, ficou três dias em coma, passou por cirurgia na coluna e deve realizar mais uma operação nos pés
na próxima semana. Mesmo assim, a família se considera sortuda.
— Agora vou chegar em casa e vou comprar pimentinha, arruda, comigo-
ninguém-pode. Vou plantar tudo em volta de casa. Olha o que estou passando — diz a mãe.
"É a fé. Não
adianta"
No quarto 523 do Hospital Tacchini, ao lado do leito onde se recupera dos ferimentos, Jader de Castro Brito mantém um pequeno livro de
provérbios do Novo Testamento. Na bolsa da sua mãe está um rosário que o irmão Ciro trouxe ao saber do seu grave estado de saúde. Para ela - e toda
a família -, é a fé que fez seus três filhos homens sobreviverem a graves acidentes.
— Teve um momento que nos chamaram e disseram
que ele já ia morrer. Fiquei todo o tempo rezando com o terço na mão. É uma coisa de Deus. Meus três filhos sobreviveram por milagre — desabafa a
dona de casa, mãe ainda de uma menina de cinco anos.
A primeira tragédia da qual a família escapou envolveu Jader, então com oito anos. Ele
estava em um carro que capotou no interior de Restinga Seca. Apesar da gravidade do acidente, sobreviveu sem ferimentos graves. As únicas marcas que ficaram foram duas pequenas
cicatrizes no rosto.
Com a mesma idade, mas oito anos mais tarde, seu irmão Ralf foi atacado por um leão em um circo. Apesar de ter sido puxado pelo animal
para dentro do picadeiro e ter sido mordido no pescoço e nas costas, ele também tem apenas algumas cicatrizes, sem sequelas.
— Eu tenho muita
fé em Deus, principalmente depois que o leão me atacou. Estava sempre lá em volta dele (Jader) rezando. É um milagre mesmo eu ter sobrevivido e agora ele
também — afirma Ralf, lembrando que faltou apenas 1mm para que o leão atingisse a artéria aorta.
Já na Páscoa do ano passado seu
irmão Ciro, hoje com 22 anos, sobreviveu ileso a um grave acidente em Novo Cabrais. Morador de Bento Gonçalves, ele dirigia seu carro novo para Restinga Seca quando foi
atingido por um caminhão carregado de tijolos. A colisão foi tão grave que a carreta parou sobre o veículo. Ciro e sua esposa grávida saíram
ilesos.