12/12/2023 | 20:38 | Polícia
Neuza Regina Bitencourt Vidaletti, mãe de Dionatha, foi sentenciada a dois anos de reclusão pelo disparo
Um dos casos de maior repercussão em Porto Alegre nos últimos anos teve desfecho nesta terça-feira (12). No fim da tarde, Dionatha Bitencourt Vidaletti foi condenado pelo assassinato de três pessoas da mesma família, em janeiro de 2020, no bairro Lami. A mãe dele foi condenada por disparo de arma de fogo.
Dionatha foi condenado a 35 anos e quatro meses de reclusão pelos três homicídios e pelo porte de arma. As três qualificadoras foram aceitas pelos jurados — motivo fútil, perigo comum, recurso que dificultou a defesa das vítimas. Dionatha já estava detido preventivamente na Penitenciária Estadual de Canoas desde 29 de janeiro de 2020, totalizando três anos, 10 meses e 19 dias. Assim, resta cumprir a pena de 31 anos, cinco meses e 11 dias de reclusão.
Neuza Regina Bitencourt Vidaletti, mãe de Dionatha, foi sentenciada a dois anos de reclusão pelo disparo de arma de fogo, substituída por prestação de serviços à comunidade e prestação pecuniária.
— A gente sabia que era um crime absurdo, por um motivo muito estúpido, muito banal. Os jurados reconheceram essa situação, afastaram a tese da defesa, de violenta emoção, e acolheram na íntegra o que a gente mostrou como promotores. Entendo que a gente fez justiça — afirmou a promotora Lúcia Helena Callegari, que informou ainda que vai recorrer.
Ao fim do júri, o advogado Cristiano Rosa disse que é prematuro afirmar se vai ou não recorrer.
— A defesa está contente com o trabalho e também sabe que respeita plenamente a decisão do Conselho de Sentença, que é soberano — afirmou Rosa.
O crime ocorreu em janeiro de 2020. Naquela tarde, a família voltava de uma comemoração de aniversário em seu veículo, pela Estrada Armando Inácio da Silveira, no bairro Lami, extremo sul de Porto Alegre.
Durante o trajeto, o Aircross no qual estavam as vítimas colidiu com a Ecosport de Dionatha, que estava parada no acostamento. O motorista, Rafael Zanetti Silva, não parou para prestar contas sobre o acidente, o que teria deixado o réu inconformado. Ele, então, passou a perseguir a família, acompanhado por Neuza.
Dionatha alcançou a família, que estacionou e desceu do veículo. Na discussão, a violência escalou e o réu atirou contra Rafael, sua esposa Fabiana da Silveira Innocente Silva, e o primogênito do casal, Gabriel, que morreram. As vítimas tinham 45, 44 e 20 anos, respectivamente, à época dos fatos.
A cena foi presenciada pelo filho caçula do casal, à época com oito anos, e pela namorada de Gabriel, que permaneceram no carro.
O júri de mãe e filho começou na segunda-feira de manhã. O desfecho ocorre após dois dias de trabalho no Foro Central da cidade.
No primeiro dia do rito, foram ouvidas testemunhas de acusação, como o delegado Rodrigo Pohlmann Garcia, que conduziu a investigação na época, além de uma vizinha do local do crime e um segurança que teria assistido o fato.
Em um dos momentos mais marcantes do júri, foi ouvida a namorada de Gabriel, sobrevivente do caso. Ela trouxe detalhes daquele dia, em um relato repleto de pausas e emoção. Disse que viu o momento em que o trio foi baleado.
— Só vi eles caindo em sequência, enfileirados. O Rafa, a Fabi e o Gabriel, não lembro quem caiu primeiro. Logo que deu os tiros, eu entrei em pânico e saí do carro por um segundo e voltei — diz ela, que afirmou ter ficado com medo de também ser baleada.
Ela lembra que o filho caçula do casal morto estava ao seu lado no veículo:
— Ficou em choque, dentro do carro, apavorado. Não falou nada, mas viu tudo. Quando (os réus) entraram no carro e foram embora, eu desci e ele veio atrás de mim. Ele foi para perto dos pais, que já estavam mortos, ficou abaixado junto aos corpos. Eu fui até o Gabriel, que estava vivo, mas não conseguia dizer nada.
Em seguida, os réus foram interrogados. Os dois confessaram que Dionatha atirou contra a família, mas alegaram que os disparos foram dados em legítima defesa, para proteger Neuza. A mãe também admite o tiro de advertência.
Nesta terça-feira, ocorreram os debates entre Ministério Público (MP) e as defesas. Depois, o Conselho de Sentença se reuniu e definiu o resultado do julgamento.