A cidade de Três Passos, no Noroeste do Rio Grande do Sul, amanheceu com
cartazes em homenagem ao menino Bernardo Boldrini, de 11 anos, morto em abril de 2014. Grupos que pedem justiça se organizaram para posicionar os banners em frente ao Fórum do
município e à casa onde o garoto morava. Em pouco mais de um mês, o assassinato de Bernardo completará um ano.
Até agora, foram
colocados cerca de 20 cartazes, mas o número deve chegar a 30 até o fim do dia. A homenagem contou com o apoio financeiro de pessoas em diferentes estados do Brasil, que
ajudaram a organizar o ato através de grupos em uma rede social.
Segundo a empresária Juçara Petry, além de relembrar o caso, eles pedem
a reabertura da investigação sobre a morte da mãe de Bernardo, Odilaine Uglione. O inquérito oficial sobre o fato apontou que Odilaine se suicidou, mas
familiares afirmam que ela teria sido assassinada pelo marido e pai de Bernardo, o médico Leandro Boldrini.
Além de Leandro, a mulher dele e madrasta da
vítima, Graciele Ugulini, a amiga dela Edelvânia Wirganovicz e seu irmão, Evandro Wirganovicz, são acusados de participar da morte do menino. Os quatro
estão presos e respondem por homicídio qualificado e ocultação de cadáver.
“Estamos nos mobilizando para ver se a
promotoria volta atrás e reabre o inquérito da morte dela. Talvez ela tenha se suicidado, mas a dúvida é grande. Um perito diz uma coisa, outro perito diz o
contrário. E nós também queremos mostrar que a sociedade não esqueceu o que aconteceu com ele [Bernardo]. Que o povo está mobilizado”, disse
Juçara ao G1.
Entenda
O corpo de Bernardo, de 11 anos, foi encontrado no dia 14 de abril enterrado em um matagal na
área rural de Frederico Westphalen, a cerca de 80 km de Três Passos, onde ele residia com a família. Ele estava desaparecido desde 4 de abril.
Conforme alegou a família, Bernardo teria sido visto pela última vez às 18h do dia 4 de abril, quando ia dormir na casa de um amigo, que ficava a duas quadras de
distância da residência da família. No dia 6 de abril, o pai do menino disse que foi até a casa do amigo, mas foi comunicado que o filho não estava
lá e nem havia chegado nos dias anteriores.
No início da tarde do dia 4, a madrasta foi multada por excesso de velocidade. A infração foi
registrada na ERS-472, em um trecho entre os municípios de Tenente Portela e Palmitinho. Graciele trafegava a 117 km/h e seguia em direção a Frederico Westphalen. O
Comando Rodoviário da Brigada Militar (CRBM) disse que ela estava acompanhada do menino.
O pai registrou o desaparecimento do menino no dia 6, e a
polícia começou a investigar o caso. No dia 14 de abril, o corpo do garoto foi localizado.
Segundo as investigações da Polícia
Civil, Bernardo foi morto com uma superdosagem do sedativo midazolan e depois enterrado em uma cova rasa, na área rural de Frederico Westphalen. Graciele e Edelvânia teriam
dado o remédio que causou a morte do garoto e depois teriam recebido a ajuda de Evandro para enterrar o corpo.
A denúncia do Ministério
Público apontou que Leandro Boldrini atuou no crime de homicídio e ocultação de cadáver como mentor, juntamente com Graciele. Conforme a polícia,
ele também auxiliou na compra do remédio em comprimidos, fornecendo a receita Leandro e Graciele arquitetaram o plano, assim como a história para que o crime ficasse
impune, e contaram com a colaboração de Edelvania e Evandro.