01/10/2023 | 12:51 | Polícia
A vítima Leandra Vitória Franco Rossales da Silva, 25 anos, mãe de um menino de cinco anos, foi assassinada com disparo de arma de fogo e teve cadáver carbonizado
No fim de agosto, um caso de feminicídio foi descoberto em Pelotas, no sul do Estado. Após o desaparecimento de Leandra Vitória Franco Rossales da Silva, 25 anos, familiares dela desconfiaram da situação. O corpo da jovem foi localizado no mesmo dia, carbonizado num matagal nas proximidades de onde ela residia com o namorado. A investigação apontou que a vítima foi morta com um disparo de arma de fogo e depois teve o cadáver incendiado.
O então namorado Lucas Loi Potenza, 27 anos, foi preso em flagrante e mais tarde se tornou réu pelo crime. Os pais dele, João Luiz Potenza, 70, e Maria de Lurdes Loi Potenza, 72, também foram detidos, mas libertados após pagamento de fiança. O casal foi denunciado por suspeita de ter auxiliado o filho a ocultar o corpo da jovem. Mas, no caso deles, foi concedido um benefício legal: a suspensão condicional do processo. Trata-se de uma espécie de acordo entre a acusação e defesa, previsto na legislação para alguns casos.
Segundo o promotor de Justiça Márcio Schelee Gomes, responsável pela denúncia, o benefício é um direito legal aplicado neste caso, em razão de alguns fatores. Entre eles, estão o tempo de pena previsto para o crime de ocultação de cadáver, que é de reclusão de um a três anos. Também é considerado o fato de os acusados serem primários e possuírem bons antecedentes.
O próprio MP propôs a suspensão do processo, mediante o pagamento de dois salários mínimos ou prestação de serviço para a comunidade por seis meses, entre outras obrigações. Além disso, os dois estão proibidos de se ausentarem de Pelotas pelo prazo superior a 15 dias sem prévia autorização judicial e devem comparecer a cada três meses na Justiça para informar o endereço e justificar suas atividades.
Para que sejam cumpridas essas condições, segundo o Judiciário, houve cisão (divisão) do processo. O acordo foi firmado na última terça-feira (26) entre as partes. Os dois devem cumprirem as obrigações pelo período de três anos. Caso eles descumpram alguma das exigências, podem ser submetidos ao júri pelo crime de ocultação de cadáver. Maria de Lurdes ainda responde por favorecimento real, por ter tentado esconder o revólver que teria sido utilizado no crime.
Neste caso, segundo a advogada criminalista Valéria Amorim, que representa a família da vítima Leandra Vitória, também pesou o fato de que os acusados são maiores de 70 anos.
— A idade é um fator porque, em caso de condenação, por terem mais de 70 anos na data da sentença, a pena aplicada cairia pela metade. O mesmo ocorre com menores de 21 anos. Isso, infelizmente, tornou-se uma das maiores dores da família. Eles terem a oportunidade de receber esse benefício. Mas é uma brecha na lei, que permite isso — explica a advogada.
Nos crimes em que a pena mínima for igual ou inferior a um ano, o Ministério Público, ao oferecer a denúncia, poderá propor a suspensão do processo, por dois a quatro anos, desde que o acusado não esteja sendo processado ou não tenha sido condenado por outro crime.
O advogado Konstantin Knebel, um dos responsáveis por representar Lucas Loi Potenza e os pais dele, informou que a defesa prefere não se manifestar neste momento sobre o caso.
Fonte: Polícia Civil e Poder Judiciário do RS
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