Logomarca Paulo Marques Notícias

22/08/2023 | 05:20 | Polícia

'Fiquei sem chão', diz mãe de recém-nascido colocado em bolso para 'dancinha' em maternidade de SC

Criança nasceu prematura, junto com o irmão gêmeo, em um hospital de Itajaí. Além da fisioterapeuta que aparece na gravação, três técnicas de enfermagem foram demitidas em Itajaí.

Criança nasceu prematura, junto com o irmão gêmeo, em um hospital de Itajaí. Além da fisioterapeuta que aparece na gravação, três técnicas de enfermagem foram demitidas em Itajaí.
Recém-nascido é colocado em bolso de jaleco enquanto fisioterapeuta dança em maternidade de SC - Foto: Reprodução

A mãe do bebê de 15 dias colocado no bolso do jaleco de uma fisioterapeuta para uma "dancinha" durante atendimento no Hospital Marieta Konder Bornhausen, em Itajaí, no Litoral Norte de Santa Catarina, disse que só soube que o filho estava no vídeo viral dois dias após ele ser gravado. "Eu fiquei sem chão", conta.

"Não sabia que era meu filho. Não passava nem na cabeça que era o nosso neném", relatou nesta segunda-feira (21) a mulher de 23 anos, que deu à luz gêmeos. O nome dela não será divulgado para preservá-la.

O vídeo da fisioterapeuta chegou ao celular da mãe em 14 de agosto. Mas, só dois dias depois, segundo a jovem, ela foi informada de que se tratava do próprio filho.

"Eles nasceram prematuros, já foram logo para o aparelho de ventilação, porque não conseguiam nem respirar sozinhos. Até hoje, eles estão com sonda".

A advogada da família, Mariani Regina da Silva, afirma que os pais só souberam que o filho estava no vídeo em 16 de agosto, após a publicação repercutir nas redes. Ela também diz que a criança que aparece no vídeo contraiu uma bactéria após a gravação.

Segundo o Hospital Marieta, "não há qualquer relação entre o fato filmado e a colonização bacteriana, tendo em vista que a coleta foi realizada no dia anterior ao ocorrido". A assessoria da unidade também afirmou que "a mãe foi comunicada tão logo houve a confirmação da autoria, no primeiro momento em que esteve no hospital, inexistindo qualquer intenção de abafar o caso". (nota completa no final do texto).

Além da fisioterapeuta, afastada pela empresa terceirizada que a contratou, três técnicas de enfermagem foram demitidas após "dancinha" com bebê. A Polícia Civil abriu inquérito para apurar crime na conduta dos profissionais.

Relato de violência obstétrica
A mãe também relatou que sofreu violência obstétrica da equipe do hospital, e que os gêmeos nasceram na sala de pré-parto. A unidade nega a agressão.

Ela conta que procurou a maternidade quando uma das bolsas estourou. Ela foi internada na ocasião e recebeu medicação para induzir o parto, já que a do outro bebê ainda não havia estourado.

"Eu estava sentindo muita dor, já era umas 2h da manhã, que foi a última vez que o médico veio fazer o toque em mim, pra ver com quantos dedos de dilatação eu estava. Eu cheguei lá [no hospital] com dois dedos de dilatação, e quando ele foi lá fazer o exame eu já estava com cinco", disse.

Durante a madrugada, ela teria chamado enfermeiros, mas não foi atendida. Segundo ela, além da dor, sentia que a dilatação havia aumentado muito, e já não conseguia mais usar o banheiro.

"Teve que esperar a troca de turno, às 7h horas. A enfermeira perguntou pra mim qual foi o último horário que o médico tinha ido ali para fazer o exame de toque. Eu falei que foi às 2h. Ela já olhou para o médico e ele veio ver. Ele só afastou minha perna e a mão do neném já estava para fora", relatou.

O Conselho Regional de Enfermagem de Santa Catarina (Coren/SC) informou que não recebeu nenhuma denúncia sobre o ocorrido, mas "segue apurando os fatos junto ao Hospital e Maternidade Marieta Konder Bornhausen para averiguar o envolvimento de profissionais de enfermagem no caso".

Nota do hospital

O Hospital Marieta reforça que o bebê nasceu prematuramente de parto normal sem qualquer intercorrência, totalmente dentro da normalidade para um parto desta natureza, antes do tempo. Segundo boletim médico, a criança goza de perfeita saúde, reservada apenas aos cuidados pertinentes da sua fragilidade de nascido prematuro. Não houve violência obstétrica e é importante ressaltar que não há qualquer relação entre o fato filmado e a colonização bacteriana, tendo em vista que a coleta foi realizada no dia anterior ao ocorrido.

O Hospital, assim que teve conhecimento do vídeo, imediatamente começou as apurações, tomando todas as precauções para identificar os envolvidos, procedendo à comunicação dos fatos à polícia e auxiliando nas investigações. A mãe foi comunicada tão logo houve a confirmação da autoria, no primeiro momento em que esteve no hospital, inexistindo qualquer intenção de abafar o caso. O Hospital Marieta tratou do caso com a seriedade necessária, inclusive na manutenção do sigilo das identidades do bebê e familiares. O Hospital realizou o atendimento de forma correta, esclarecendo que o bebê nasceu prematuramente de parto normal sem qualquer intercorrência, totalmente dentro da normalidade para um parto desta natureza, antes do tempo. Segundo boletim médico, a criança goza de perfeita saúde, reservada apenas aos cuidados pertinentes da sua fragilidade de nascido prematuro.

Fonte: G1
Mais notícias sobre POLÍCIA