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09/08/2023 | 05:26 | Polícia

Acusado de matar três crianças e duas professoras em ataque a creche em SC começa a ser julgado nesta quarta-feira

Em 4 de maio de 2021, um homem invadiu uma escola infantil no município situado no oeste catarinense, e desferiu golpes de adaga contra as vítimas

Em 4 de maio de 2021, um homem invadiu uma escola infantil no município situado no oeste catarinense, e desferiu golpes de adaga contra as vítimas
Vans de transporte escolar levaram mensagens de apoio às vítimas - André Ávila / Agencia RBS

O julgamento do acusado de invadir uma creche e matar duas professoras e três crianças, no município de Saudades, no oeste de Santa Catarina, começa nesta quarta-feira (9). A sessão inicia às 8h30min, no Fórum da comarca de Pinhalzinho, cidade vizinha ao do atentado. 

O julgamento poderá ser acompanhando por familiares das vítimas e pelo público. A previsão é de que os trabalhos durem até três dias. 

O suspeito está preso preventivamente desde a chacina, em 4 de maio de 2021. Com uma adaga, ele golpeou as vítimas. Além das duas professoras e das três crianças menores de dois anos que não resistiram aos ferimentos, o acusado ainda tentou realizar outras 14 tentativas de homicídio. Depois do atentado, o suspeito saiu da escola e tentou cometer suicídio, mas recebeu atendimento médico. O processo do caso tramita em segredo de justiça. 

Como será o júri 
O julgamento vai acontecer no salão do tribunal do júri. A capacidade do fórum, que dispõem de 64 cadeiras fixas, será aumentada em 20 lugares para que os moradores possam acompanhar o caso. Dos assentos disponíveis, 49 estão reservados para familiares das vítimas, familiares do réu, convidado do advogado de defesa, Ministério Público, OAB e representantes do município de Saudades. 

A primeira sessão inicia com o sorteio dos jurados. Em 24 de julho, um sorteio prévio estabeleceu uma lista de 25 jurados  e dez suplentes. Na quarta, serão sorteados os sete nomes que formarão o Conselho de Sentença. 

Em seguida, será iniciada a instrução em plenário com a oitiva de seis vítimas, oito testemunhas de acusação e quatro de defesa. É possível que o primeiro dia de julgamento seja dedicado apenas às oitivas em plenário, avalia o Poder Judiciário.

Ao final das oitivas das vítimas e testemunhas, será a vez do interrogatório. Após, o promotor de Justiça fará sua explanação por uma hora e meia, mesmo tempo concedido à fala da defesa. O Ministério Público terá mais uma hora caso exerça a réplica. A defesa pode usar de igual tempo para tréplica. 

O magistrado, então, se reunirá com os jurados, representantes da acusação e da defesa para a votação dos quesitos — perguntas sobre o crime que conduzirão a elaboração da sentença. Essa etapa deve se prolongar por três horas. A leitura da sentença, na presença do público e de quem atuou na sessão, finalizará o júri.

Ainda segundo o Poder Judiciário, um forte esquema de segurança foi organizado nas redondezas e no interior do Fórum. Nenhum veículo poderá estacionar nas ruas ao redor do local. Quase toda a estrutura do prédio será utilizada para o julgamento, e apenas atendimentos agendados serão feitos pelos servidores. Para entrar no Fórum, é preciso fazer um cadastro com o número do CPF do visitante. O uso do celular durante o júri é proibido.

Como foi o crime

  • Antes do ataque a escola de educação infantil, o suspeito, na época com 18 anos, trabalhou. Cumpriu turno em uma empresa de confecção de roupas e calçados da cidade a partir das 5h da manhã. Saiu para o intervalo às 9h15min
  • Percorreu nove minutos de bicicleta até sua casa no bairro Morada do Sol. Tomou café, saiu pedalando em um trajeto de oito minutos até a escola
  • Entrou na creche por volta das 10h. A professora Keli Adriane Aniecevski, 30 anos, foi a primeira pessoa com a qual o suspeito se deparou. Ela tentou falar com ele, mas logo ele a atacou com golpes de faca. Ao mesmo tempo, as crianças do berçário se preparavam para sair da sala e ir ao refeitório comer o lanche
  • O assassino avançou sobre as crianças e a agente educacional Mirla da Costa Renner, 20 anos, tentou intervir, se colocando na frente dos bebês. Cada um dos atingidos levou de quatro a cinco golpes de facão
  • O criminoso tentou avançar para outras turmas, as professoras perceberam a situação e se trancaram dentro das salas com as crianças. 
  • Do lado de fora da creche, as pessoas começaram a ouvir os gritos. Trabalhadores entraram na escola e tentaram conter criminoso, quando ele tentou contra a própria vida
  • O criminoso, então, foi amarrado dentro da escola. Bombeiros e Polícia Militar chegam ao local do crime e identificam cinco mortos: duas professoras e três crianças
  • O suspeito foi levado para um hospital da região

As vítimas do atentado 

Três crianças e duas funcionárias morreram no ataque:

  • Keli Adriane Aniecevski, 30 anos, professora na unidade há cerca de 10 anos
  • Mirla Renner, 20 anos, agente educacional na escola
  • Sarah Luiza Mahle Sehn, um ano e sete meses
  • Murilo Massing, um ano e nove meses
  • Anna Bela Fernandes de Barros, um ano e oito meses.
Fonte: GZH
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