Mãe e filha foram encontradas mortas a facadas no início da tarde desta segunda-feira na casa onde moravam, no final da Rua Anacleto Damiani, no Centro
de Florianópolis.
Maria Madalena Coutinho, de 77 anos, e sua filha mais velha, Georgete Coutinho, de 49 anos, foram achadas em cômodos distintos
da residência pela outra filha da vítima, Gicela, e o marido, Rogério da Silva, por volta de 13h. O casal tinha ido ao local para almoçar com as duas, como era de
costume nos dias de semana. Ao encontrarem os corpos, o casal ainda chamou a ambulância do Samu para tentar algum resgate, mas os enfermeiros, ao constatarem os óbitos de
ambas, acionaram a Polícia Civil.
Manhã calma
Rogério conta que entre 8h30min e 9h foi até a
casa para levar compras da semana e estava tudo normal, mas no horário do almoço ele estranhou.
— O portão sempre ficava trancado com
cadeado e elas só abriam para conhecidos. Quando a gente chegou estava apenas fechado. Minha sogra sofria de mal de alzheimer e era comum ela se esconder quando chegava
alguém. A gente foi entrando e encontrou ela deitada na cozinha. Depois achamos a Georgete, no quarto — disse, com os pertences das vítimas na mão.
Familiares relataram à Polícia Civil que um notebook e algumas joias foram levadas da residência. Por este motivo a investigação seguiu
para a Delegacia de Repressão a Roubos (DRR). Segundo testemunhou uma vizinha, que foi levada à 1ª DP para prestar depoimento, um homem teria saído da
residência em uma moto por volta do meio dia. Ninguém havia sido preso até 20h.
— A gente suspeita que seja alguém conhecido, porque o
portão estava aberto. Mas é o trabalho da polícia que vai dizer — disse Rogério.
A delegada Ana Claudia Ramos Pires assumiu o caso e
confirmou que o crime foi um latrocínio (roubo seguido de morte). Ela ouviu quatro testemunhas na tarde desta segunda-feira e deve tomar depoimento de pelo menos mais duas pessoas
nos próximos dias — uma delas é Gicela, filha e irmã mais nova das vítimas.
A delegada também informou que já
há uma linha de investigação sobre o crime, mas preferiu não dar mais detalhes para não atrapalhar as ações da Polícia Civil.
Moradora antiga
Os corpos das vítimas foram levados pelo rabecão do Instituto Geral de Perícias por volta de
15h30min diante da vizinhança que se aglomerava nas calçadas. De acordo com Rogério, Maria Madalena morava na casa há mais de 50 anos.
— Conhecia todo mundo aqui. Construiu esta casa com barro e tijolo maciço. Era antiga — disse.
A residência de cor rosa onde ocorreu o
crime fica no final da rua, onde começa uma escadaria, comum em regiões mais altas e inacessíveis no Maciço do Morro da Cruz.
Vizinhos e familiares estavam assustados com o ocorrido. A via, que parte da Av. Mauro Ramos, é composta por residências e escritórios e tem o fim justamente na casa de
Madalena, sendo de pouco fluxo ao longo do dia. Abalada, Gicela, irmã e filha das vítimas, demorou a deixar a casa.
— Eu quero minha irmã!
— dizia, chorando.
Maria Madalena era professora aposentada da Fundação Catarinense de Educação Especial, em São
José, e a filha também tinha atuado como professora, mas ultimamente morava e cuidava da mãe. No terreno onde ocorreu o crime ainda conviviam cinco cachorros e
três gatos.