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25/06/2023 | 06:28 | Polícia

Putin anuncia que chefe do grupo Wagner se mudará para Belarus e combatentes não serão punidos criminalmente

Governo russo entrou em acordo com líder dos mercenários para evitar o conflito

Governo russo entrou em acordo com líder dos mercenários para evitar o conflito
Yevgueni Prigozhin, líder do grupo paramilitar russo Wagner - Reprodução/@concordgroup_official / AFP PHOTO

O porta-voz de Vladimir Putin, Dmitry Peskov, garantiu, durante uma teleconferência realizada com repórteres na tarde deste sábado (24), que o governo russo não irá punir criminalmente os membros que participaram de rebelião iniciada na sexta-feira (23). O Kremlin também revelou que  o líder do grupo paramilitar Wagner, Yevgueni Prigozhin, ficará exilado em Belarus e que as acusações contra ele serão retiradas.

— Ninguém vai julgar (os combatentes), tendo em conta os seus méritos na frente do conflito com a Ucrânia — afirmou Peskov.

Os combatentes pretendiam avançar em direção a Moscou e derrubar o comando militar do país. A atual decisão vai na contramão do que havia garantido Putin, na manhã deste sábado. Na ocasião, o Kremlin prometeu punir a "traição" do grupo e condenou as ações dos paramilitares.

— É uma punhalada pelas costas para o nosso país e o nosso povo. O que enfrentamos é exatamente uma traição. Uma traição provocada pela ambição desmedida e interesses pessoais — havia declarado o presidente russo à imprensa.

Diante da declaração de Putin, Prigozhin se manifestou e rebateu as acusações.

— No que diz respeito à "traição da pátria", o presidente está profundamente equivocado. Nós somos patriotas . Ninguém planeja se render a pedido do presidente, dos serviços de segurança ou de quem quer que seja — afirmou o líder do Wagner pouco tempo depois do comunicado do Kremlin.

Motivações da negociação

Segundo Peskov, foi feita uma negociação, seguida de um acordo, entre o governo russo e os mercenários, que foi intermediada pelo chefe do Executivo de Belarus, Aleksandr Lukashenko, aliado de Putin.

—  O fato é que Alexandr Grigoryevich (Lukashenko) conhece Prigozhin pessoalmente há muito tempo, há cerca de 20 anos. E foi sua proposta pessoal, que foi acordada com Putin. Somos gratos ao presidente de Belarus por esses esforços —  agradeceu o porta-voz.

Prigozhin e todos os seus combatentes desocuparam o quartel-general militar na cidade de Rostov-on-Don, no sul da Rússia, que haviam assumido anteriormente, menos de duas horas após o anúncio do acordo.

Dmitry pontuou que esse acordo foi a decisão mais acertada para não haver mortes e prejuízos para ambos os lados.

—  Evitar um derramamento de sangue (em Moscou) compensa mais do que perseguir alguém criminalmente — declarou Dmitry.

O representante russo ainda ressaltou que Putin "sempre respeitou os feitos históricos" do grupo nas linhas de frente na Ucrânia, em apoio a invasão russa no leste europeu.

Foi graças a esse acordo que Prigozhin ordenou na manhã deste sábado (24) que os combatentes, que estavam indo em direção à capital russa, desistissem da ofensiva.

"Agora é a hora em que o sangue pode correr. Por isso, nossas colunas recuam, para retornarem aos acampamentos", declarou o líder dos mercenários em mensagem publicada no Telegram.

O acordo
O acordo entre o governo russo e os combatentes prevê uma série de benefícios para ambos os lados, desde que cada um cumpra com sua parte. Confira o que ficou decidido na negociação:

  • Nenhum combatente que participou da rebelião sofrerá sanções criminais nem será perseguido.
  • Os mercenários que não aderiram à revolta poderão ser integrados ao Ministério da Defesa da Rússia.
  • Tanto os que participaram da rebelião quanto os que ficaram de fora contarão com o suporte da Polícia de Trânsito e demais apoios para regressarem aos seus locais de permanência.
  • Yevgueni Prigozhin precisará deixar o front na Ucrânia e na sua cidade natal, São Petersburgo. O chefe do grupo ficará exilado em Belarus, país aliado de Moscou.
  • Serão retiradas todas as acusações contra Prigozhin
Fonte: GZH
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