O comissário da Polícia Civil Nilson Aneli,
investigado por uma suposta ligação com o traficante executado por um grupo rival em Tramandaí, no Litoral Norte do Rio Grande do Sul, foi indiciado nesta quarta-feira
(4) em dois inquéritos da Polícia Civil. Além de ter três crimes apontados pela Delegacia de Tramandaí, ele terá de responder por
infrações citadas em inquérito da Corregedoria-Geral de Polícia (Cogepol).
"O meu inquérito investiga os fatos ocorridos em
Tramandaí, e o da Cogepol investiga fatos ocorridos antes, em Porto Alegre", explicou ao G1 o delegado Paulo Perez, da delegacia da cidade litorânea.
Perez indiciou Aneli e mais sete pessoas por porte ilegal de arma e organização criminosa com o agravante de corrupção de menores. O grupo estava na casa do
traficante Alexandre Goulart Madeira, o Xandi, de 35 anos, quando ele foi executado, no dia 4 de janeiro. Na residência, foram apreendidas cinco pistolas, seis carregadores de 31
tiros, outras 200 munições, uma grande quantia em dinheiro e quatro veículos (entre eles uma caminhonete de luxo), além de joias e uma quantidade de drogas. Dois
menores de idade estavam no local.
Já a Cogepol informou por meio de nota que Aneli foi indiciado por organização armada, embaraçar
investigação criminal, atuar na condição de funcionário público e falsidade ideológica. Também foram indiciadas outras oito pessoas
por integrar organização criminosa armada, uma a mais que no inquérito de Tramandaí.
Aneli trabalhou no gabinete do ex-secretário
estadual de segurança Airton Michels até o final do ano passado. Michels disse que o policial reconheceu ter feito "bicos" em vigilância privada ao traficante,
mas garantiu que não sabia que se tratava de um criminoso.
Além do inquérito em que Aneli é citado, o delegado Paulo Perez investiga ainda
os responsáveis pela morte do traficante e se a empresa de eventos dele era usada para lavagem de dinheiro.
O crime
O
tiroteio ocorreu por volta das 14h do dia 4 de janeiro, um domingo, na casa localizada na Rua 3 de Outubro. Segundo a Brigada Militar, quatro homens chegaram ao local em um Corsa vermelho.
Dois deles desceram e atiraram contra a residência. Foram feitos vários disparos de fuzil e de pistola 9 mm.
Xandi, que estava à beira da piscina,
foi atingido na cabeça e morreu no local. Outro homem, que seria sobrinho do comissário, foi atingido nas costas. Ele foi socorrido e transferido para o Hospital de Pronto
Socorro da capital, onde foi internado em estado grave. Uma mulher levou um tiro de raspão na barriga.
A casa alugada pelos criminosos fica a uma quadra do
mar, perto da plataforma, em um dos pontos mais movimentados de Tramandaí. Segundo a polícia, a quadrilha chegou ao local em 26 de dezembro e voltaria para Porto Alegre na
tarde de domingo (5). A diária paga por eles pelo aluguel da casa foi de R$ 1,2 mil.