A grave crise que atravessa a cadeia leiteira no Estado motivou a Regional Sindical Santa Rosa, que
congrega 16 Sindicatos dos Trabalhadores Rurais ligados à Fetag, a promover uma reunião com produtores, lideranças sindicais e políticas, bem como
entidades ligadas ao setor, na sede do STR de Santa Rosa.
O coordenador da regional, Pedrinho Signore, abriu os trabalhos e falou do desespero dos produtores que
não têm mais para quem vender o leite, bem como a preocupação com o alto investimento realizado pelos agricultores familiares na atividade nos últimos
anos. “Eles estão endividados e é alto o risco de inadimplência que está prestes a ocorrer”, alertou. Ao mesmo tempo, Nelson Della Valli, presidente
do STR de Santa Rosa, contou que os representantes sindicais sabem o que os agricultores familiares estão passando neste momento de crise em que uns recebem, outros não e
existem aqueles que sequer conseguem entregar o leite. “Está um verdadeiro caos”, disparou o dirigente.
O presidente da Fetag, Elton Weber,
parabenizou os organizadores do evento pela forma interinstitucional que o tema está sendo discutido na região de Santa Rosa. Ele fez um breve relato sobre o cenário da
Cadeia Leiteira no Estado e os problemas relacionados à Operação Leite Compen$ado, os chamados intermediários (picaretas) que atuavam com frequência e que
de uma hora para outra desapareceram do mercado, deixando milhares de produtores sem pagamento e sem ter a quem entregar o produto.
Weber enfatizou a necessidade de uma
política de incentivos fiscais do Estado para as indústrias de laticínios e, ao mesmo tempo, a necessidade de cobrar delas um maior comprometimento com a cadeia
produtiva, sobretudo no que se refere a ameaça de exclusão em massa de produtores.
O dirigente explicou que a Federação está
acompanhando a negociação de passivo das indústrias com produtores, bem como o acompanhamento jurídico dos processos de recuperação judicial das
empresas LBR/Bom Gosto e Promilk. Já o prefeito de Santa Rosa, José Seger, também fez referência sobre a importância econômico-social da
atividade para o município e garantiu que o poder público municipal está engajado na busca de alternativas e na construção de soluções
conjuntas para superar a crise.
Em seguida, foram definidos os seguintes encaminhamentos:
- Levantamento por parte das
entidades, identificando as empresas que estão anunciando o cancelamento do recolhimento de leite, em função da escala de produção (inferior a 100 litros
diários), mesmo estando em acordo com as exigências da IN 62;
- Iniciar uma campanha massiva na mídia sobre a importância do consumo de leite
e a qualidade do produto produzido no Estado, como contraponto à exploração midiática das adulterações no produto;
- Constituir
um grupo de trabalho na região para manter uma discussão permanente sobre o futuro da cadeia leiteira;
- Buscar junto ao Ministério do
Desenvolvimento Agrário (MDA) a concessão de bônus para pagamento dos custeios pecuários vinculados a área do leite;
- Formalizar
via contrato a relação comercial entre produtores e indústrias, como forma de trazer maior proteção aos produtores de leite;
-
Buscar a imediata liberação de linha de crédito específica para socorrer os produtores de leite, no moldes do crédito emergencial concedido aos
agricultores atingidos pela estiagem em 2012;
- Cobrar a responsabilidade e o comprometimento para com os produtores das indústrias que desfrutam de
benefícios fiscais e isenção tributária;
- Realização de uma audiência pública na região para discutir o
Projeto de Lei que trata do sistema de produção integrada e que está em tramitação na Câmara Federal;
- Cobrar dos
deputados federais da região e do Estado agilidade na tramitação e aprovação das mudanças na legislação, que trata da lei de
falências e recuperação judicial, priorizando os fornecedores de matéria-prima como credores preferenciais; e
- Agilizar junto ao governo
federal a compra de leite em pó do RS como forma de escoar o produto gaúcho e aliviar os estoques das indústrias.