O motorista de ônibus Cleomar de Lima, 29 anos, marido da comerciária Carine do Nascimento da Silva, 25 anos, encontrada
morta, mantém silêncio sobre as circunstâncias do desaparecimento e morte da mulher. O corpo da comerciária, que estava desaparecida desde o dia 14, foi encontrado
no último dia 23, na entrada de uma propriedade rural, na localidade de Passo da Areia, nas margens da ERS-324, na saída de Passo Fundo para Pontão.
Um trabalhador da propriedade passava pelo local, quando sentiu um cheiro forte e ao averiguar encontrou o corpo semi-enterrado numa cova rasa no meio do mato, próximo a porteira da
granja. Agentes da Delegacia Especializada em Homicídios e Desaparecidos-DEHD foram local e pelas roupas reconheceram o corpo como sendo de comerciária. Após familiares
também reconheceram o cadáver.
A comerciária desapareceu no final da tarde dia 14, após retornar, juntamente com a mãe, do
escritório de um advogado no centro da cidade, onde tinha ido consultar o profissional sobre a sua intenção de se separar do marido. A mãe contou à
polícia que desembarcou do ônibus no bairro José Alexandre Zachia, onde a família mora, antes da filha e depois não teve mais notícias dela.
O marido da comerciária, o motorista de ônibus Cleomar de Lima registrou o desaparecimento no dia 17 da Delegacia de Pronto Atendimento da Polícia Civil.
Desde então, o caso vinha sendo investigado pelos agentes da DEHD. No dia anterior a localização do corpo, o delegado Adroaldo Schenkel concedeu entrevista coletiva
à imprensa relevando que temia que algo de grave tivesse acontecido com a comerciária.
Ao desenterrar o corpo, peritos do Instituto Geral de
Perícia-IGP constataram que a vítima estava com uma sacola plástica de supermercado enfiado na cabeça. Devido ao adiantado estado de decomposição
do cadáver não foi possível aos peritos constatar a existência de ferimentos. O corpo foi encaminhado ao Departamento Médico Legal-DML, onde foi
necropsiado. O laudo ainda não foi enviado à polícia, mas o delegado Adroaldo Schenkel recebeu informações preliminares dos peritos de que a vítima
teria sido morta por asfixia.
O delegado acredita que a comerciária foi morta no mesmo dia em que desapareceu. Os policiais que trabalham no caso suspeitam
que a vítima foi morta em outro local com o corpo sendo desovado na entrada da propriedade. A hipótese é reforçada pelas marcas de pneus de veículo que
ficaram no local, onde o cadáver foi encontrado.
O delegado Schenkel revelou que o marido da comerciária, Cleomar de Lima foi ouvido ainda durante as
investigações do desaparecimento, mas não colaborou, pois não respondeu nenhuma das perguntas formuladas. Depois da localização do corpo, ele foi
novamente intimado para prestar depoimento, porém, mais uma vez optou pelo silêncio. O motorista não respondeu nenhuma das perguntas sobre as circunstâncias do
desaparecimento ou da morte da esposa.
Cleomar de Lima e o seu padrasto tiveram os veículos apreendidos pela polícia para serem periciados pelos
peritos do Instituto Geral de Perícias-IGP. A intenção da polícia é buscar vestígios sobre o possível transporte do corpo da
comerciária num destes veículos devido a suspeita de que tenha sido morta em outro local e desovada nas margens da rodovia. O delegado Adroaldo Schenkel afirmou que outras
perícias e diligências estão sendo feitas, mas adiantou que nos próximos dias a autoria do bárbaro crime estará completamente esclarecida.