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02/04/2023 | 14:35 | Polícia

Homem é preso em flagrante após resgate de quatro pessoas em condições de trabalho análogas à escravidão

Lenhadores estrangeiros que faziam corte de mata denunciaram ter trabalhado sem receber pagamento desde agosto de 2022

Lenhadores estrangeiros que faziam corte de mata denunciaram ter trabalhado sem receber pagamento desde agosto de 2022
Quatro argentinos foram resgatados em condições de trabalho análogas à escravidão, no sábado - Ministério do Trabalho e Emprego / Divulgação

Quatro argentinos foram resgatados em condições de trabalho análogas à escravidão em Nova Petrópolis, na Serra, no sábado (1º), e um homem, localizado e identificado pela Polícia Federal como responsável pelas atividades, foi preso em flagrante. Não foram divulgados detalhes sobre a prisão, como nome ou idade do susposto empregador. 

O gerente regional do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), Vanius Corte, disse que dois trabalhadores chegaram em agosto do ano passado à cidade, e outros dois no dia 1º de março deste ano. Nenhum deles jamais recebeu salário. Só seriam pagos ao final do serviço. Uma das pessoas resgatadas é um adolescente de 14 anos, que estava com o pai. Eles trabalhavam no corte de eucaliptos. 

A situação foi revelada por dois dos trabalhadores, que dizem terem sido abandonados pelo empregador, sem dinheiro e local para pernoite.

Os dois estrangeiros, um de 24 anos e outro de 45, procuraram em Bom Princípio o 3º pelotão do 27º Batalhão de Polícia Militar. Relataram que residiam em Nova Petrópolis desde agosto de 2022, contratados para cortar mato. Durante todo o período, não teriam recebido salário e eram obrigados a morar em barracos improvisados, segundo descreveram.

Na noite de 31 de março, após reclamarem das condições de trabalho, teriam sido transportados pelo empregador até o município de Bom Princípio, onde foram deixados, sem dinheiro pelo serviço executado e sem terem onde pernoitar. Eles dizem ter sido ameaçados de morte, caso avisassem a polícia da sua situação. Procuraram então uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA) naquele município, sendo depois levados ao batalhão da BM.

A Polícia Federal foi avisada e, na tarde de sábado, deslocou uma equipe para Nova Petrópolis, conforme o delegado Adriano Medeiros do Amaral, que atua na regional de Caxias do Sul, da PF. 

A equipe do Ministério do Trabalho e Emprego também se deslocou para o município, onde encontrou o pai e o filho de 14 anos. Nenhum deles tem documentos, e todos entraram ilegalmente no Brasil, conforme Vanius Corte. As imagens encaminhadas pelo gerente regional a GZH mostram o acampamento onde pai e filho foram localizados, no meio da mata. Utensílios de cozinha e alguma comida estavam sob lonas penduradas, sem paredes. Os colchões eram apoiados sobre taquaras.

Fonte: GZH
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