A reconstituição do crime que matou o surfista Ricardo dos Santos na Guarda do Embaú, Grande Florianópolis, terminou há pouco,
às 17h. Houve um tumulto ao final do processo quando dois carros saíram do local da simulação. Eles passaram pelo meio da multidão que correu atrás
dos carros aos gritos de "assassino!" Os policiais que faziam a escolta dos carros facilitaram a saída sem maiores conflitos.
Polícia mobilizou unidades de elite para reconstituição
Com a oração do pai-nosso, os manifestantes viram o
comboio de viaturas passar para o começo da reconstituição da morte do surfista Ricardo dos Santos, o Ricardinho, na praia da Guarda do Embaú, em Palhoça,
na tarde desta terça-feira.
Foram pelo menos 10 viaturas que passaram pelo centrinho em direção ao local do crime. As polícias Civil e
Militar mobilizaram dezenas de policiais das unidades de elite para acompanhar os trabalhos dos peritos, como agentes da Coordenadoria de Operações Policiais Especiais (Cope)
e PMs do Choque. A reconstituição começou por volta das 14h.
Os policiais da Cope vieram num ônibus da Polícia Civil e estão
com cães farejadores.
Um isolamento na entrada da rua que leva ao local do crime foi feito pela PM. A imprensa também não pode ultrapassar o bloqueio
feito a cerca de 200 metros e com isso os jornalistas não poderão acompanhar os trabalhos do Instituto Geral de Perícias (IGP).
Os manifestantes,
entre familiares e amigos de Ricardinho, carregam faixas com pedidos de justiça. O clima é tenso, mas nenhum incidente foi registrado durante a passagem do comboio de
viaturas.
O autor dos tiros que provocaram a morte do surfista, o soldado da Polícia Militar Luis Paulo Mota Brentano, não foi visto em nenhum dos
carros. Mas, oficiais da PM ouvidos pelo DC confirmaram que Mota está presente na reconstituição. É possível que ele tenha sido trazido em um
veículo descaracterizado da polícia com películas, um dos primeiros na frente do grupo e rumou para os fundos da rua e não para o estacionamento perto da praia
onde ficaram os demais veículos. O irmão do policial também está no local.
O tio e o avô do surfista também participam da
simulação. Integrantes do Ministério Público acompanham o grupo.
A trilha do Morro do Macaco foi bloqueada para a passagem de pessoas para
evitar transtornos durante a reconstituição. A Polícia orienta que quem quer ir à praia faça o caminho pelo canal, em vez de passar pela trilha. A
polícia informou que há preocupação com a segurança e incidentes, por isso haverá reforço de policiamento no isolamento da
região.
Manifestação pacífica
No fim de manhã, policias expuseram faixa no local em apoio ao
colega Luís Paulo Mota Brentano. Eles vieram por conta própria e pediam pela verdade. Amigos e familiares de Ricardinho também carregavam uma faixa e pediam por
justiça.