Logomarca Paulo Marques Notícias

09/03/2023 | 05:18 | Polícia

Trabalhador em situação análoga à escravidão é resgatado em São José do Herval

Homem, que trabalhava como caseiro, vivia em um galpão ao lado de um chiqueiro

Homem, que trabalhava como caseiro, vivia em um galpão ao lado de um chiqueiro

Um homem de 59 anos foi resgatado de situação de trabalho análogo à escravidão em uma propriedade de São José do Herval, no Vale do Taquari, na noite de terça-feira (7). De acordo com a Secretaria de Inspeção do Trabalho (SIT) do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), o trabalhador dormia em um galpão ao lado de um chiqueiro e exercia funções de caseiro no local. Ele estava na propriedade desde 2021.

Além disso, de acordo com as investigações, o empregado, que não teve a identidade divulgada, tinha que repassar R$ 100 mensais ao patrão para exercer suas funções de caseiro. Isto porque o empregador cobrava R$ 500 pelo alojamento, mas pagava apenas R$ 400 reais de salários mensais.

No local, foi também encontrada uma agenda, onde o empregador contabilizava dívidas do trabalhador resgatado. Nela, constavam registros como uma dívida de R$ 2,8 mil por uma máquina de lavar, pagos em sete prestações. O dinheiro vinha de uma pensão e de uma aposentadoria às quais o trabalhador tinha direito.

O trabalhador é analfabeto e cumpre pena em liberdade com utilização de tornozeleira eletrônica, o que fazia com que ele não pudesse se retirar do local, de acordo com a SIT.

— A condição de apenado fazia com que o trabalhador fosse obrigado a trabalhar naquelas condições, uma vez que todas as comunicações com a autoridade carcerária eram feitas pelo empregador, que não fornecia nenhum documento para a vítima — diz Joel Darcie, auditor-fiscal do trabalho que coordenou a operação.

O empregado foi encaminhado para a casa de sua companheira, também em São José do Herval, e uma mediação junto à Superintendência dos Serviços Penitenciários (Susepe) permitiu que ele pudesse deixar o sítio sem infringir as regras quanto ao cumprimento de sua pena.

Um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) foi negociado pelo Ministério Público do Trabalho (MPT) e a Defensoria Pública da União (DPU) junto ao empregador, que também não teve a identidade divulgada, para garantia do recebimento das verbas calculadas pela Inspeção do Trabalho, além do pagamento de danos morais. A quantia não foi informada. Ele deverá responder ao crime em liberdade.    

Este é o 209º caso de trabalho análogo ao escravo em 2023 no Rio Grande do Sul, um número recorde na série histórica do Estado, iniciada em 1995. Além da SIT, do MPT e da DPU, a Polícia Federal também participou da operação de resgate.

Fonte: GZH
Mais notícias sobre POLÍCIA