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18/02/2023 | 07:26 | Polícia

Idosa desaparecida desde 1979 localizada em hotel em Garibaldi estava em condições semelhantes à escravidão, conclui MTE

Ministério do Trabalho e Emprego afirma que cômodo em que mulher de 73 anos morava não reunia condições de saúde e higiene mínimas. Foi reconhecido vínculo empregatício desde 2000. Hotel tem até quinta (23) para apresentar comprovantes de pagamentos ou contestar a decisão.

Ministério do Trabalho e Emprego afirma que cômodo em que mulher de 73 anos morava não reunia condições de saúde e higiene mínimas. Foi reconhecido vínculo empregatício desde 2000. Hotel tem até quinta (23) para apresentar comprovantes de pagamentos ou contestar a decisão.
Quarto onde idosa foi encontrada em Garibaldi - Polícia Civil/Divulgação

O Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) concluiu que a idosa desaparecida desde 1979 localizada em um hotel de Garibaldi, na Serra do Rio Grande do Sul, era submetida a condições semelhantes à escravidão. O gerente regional do MTE, Vanius João de Araújo Corte, afirma que o cômodo em que a mulher de 73 anos morava não reunia condições de saúde e higiene mínimas.

''Não tinha luz elétrica, não tinha entrada de ar, a roupa de cama era suja, o banheiro, que era separado do quarto, não tinha pia. Ela usava uma cozinha em condições precárias'', relata o gerente regional do MTE.

O MTE também reconheceu o vínculo empregatício da idosa com o hotel desde 2000. De acordo com o ministério, após avaliar documentos e ouvir funcionários, se chegou à confirmação de que ela permaneceu trabalhando no local. Ela realizava atividades de limpeza e substituía outros colaboradores em atividades auxiliares, segundo Vanius.

Nesta sexta-feira (17), o hotel foi notificado. O estabelecimento tem até a próxima quinta (23) para apresentar os comprovantes de pagamento ou contestar a decisão. A advogada Elenice Koff sustenta que "o Hotel Pieta não reconhece qualquer vínculo de trabalho ou de emprego com a [nome da idosa]" e alega que "as provas serão apresentadas no momento oportuno".

A mulher voltou ao convívio da família, em Cachoeirinha, na Região Metropolitana.

Investigação policial
A Polícia Civil ouviu, nesta semana, mais seis pessoas. São atuais e ex-funcionários do hotel. Segundo o delegado Marcelo Ferrugem, em depoimento os funcionários disseram que não sabiam se a idosa tinha relação de trabalho com o hotel, mas sim que ela limpava a cozinha e o banheiro por conta própria.

A investigação sobre maus-tratos contra a idosa está mantida. A fase de oitivas foi encerrada. Agora, a polícia vai avaliar o relatório do Ministério do Trabalho e Emprego para concluir o inquérito.

Fonte: G1
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