Caberá a um gaúcho, o procurador
Douglas Fischer, a coordenação da parte mais explosiva da Operação Lava-Jato — desenvolvida por procuradores da República e policiais federais para
investigar desvios de dinheiro na Petrobras. Ele comandará a força-tarefa montada pela Procuradoria Geral da República (PGR) para investigar políticos
supostamente envolvidos em corrupção na estatal.
É a formalização do trabalho a ser desenvolvido a partir de fevereiro, quando os
procuradores que atuam junto à Operação Lava-Jato vão direcionar esforços nos suspeitos que detém foro privilegiado (só podem ser
investigados com autorização do Supremo Tribunal Federal). É o caso de deputados e senadores. Já governadores serão investigados pelo Superior Tribunal de
Justiça (STJ).
Fischer, 45 anos e natural de Três de Maio, tem 18 anos de carreira e atuou durante muitos anos na procuradoria regional da 4ª
Região, sediada em Porto Alegre. Ele é mestre em Instituições de Direito e do Estado pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul
(PUCRS) e também deu aulas de Direito Penal e Direito Processual Penal. Atua hoje como coordenador da Assessoria Jurídica do procurador-geral da República, Rodrigo
Janot.
A portaria número 3/2015 da Procuradoria-Geral da República foi assinada por Janot assim que ele voltou de férias, uma viagem de
descanso com a família a Disney (EUA). Foi Douglas quem sugeriu os nomes dos seis procuradores, todos aceitos por Janot. O grupo inclui outro gaúcho, Fábio Coimbra. A
portaria nomeia também dois integrantes do Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT) para atuar no caso.
Os oito
membros da força-tarefa são: os procuradores regionais da República Douglas Fischer e Vladimir Aras, os procuradores da República Bruno Calabrich, Fabio Coimbra
e Rodrigo Telles de Souza e os promotores de Justiça do Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT) Sergio Fernandes e Wilton Queiroz.
Os procuradores se negam a adiantar números ou nomes. Por depoimentos dados por delatores da Lava-Jato ao Congresso, porém, fica clara a probabilidade de que
mais de 40 políticos sejam investigados por receber propina oriunda dos cofres da Petrobras. As principais fontes de acusação são o ex-diretor da estatal Paulo
Roberto Costa e o doleiro Alberto Youssef.
O prazo das investigações da PGR é de seis meses, mas pode ser prorrogado. A força-tarefa vai
trabalhar em paralelo ao grupo de procuradores que investiga, na primeira instância da Justiça Federal do Paraná, os réus da Lava-Jato que não têm o
foro privilegiado — funcionários públicos, doleiros e empresários, na maioria. Desses, 11 estão presos.