10/12/2022 | 14:19 | Polícia
Rüdiger Wilfred Hans Von Pescatore e outras 24 pessoas foram detidas em operação realizada na Alemanha na última quarta-feira
Na última quarta-feira (7), a polícia alemã realizou uma megaoperação que prendeu 25 suspeitos de integrarem um grupo de extrema-direita que tinha como objetivo invadir o Parlamento do Reichstag e tomar o poder. Um dos detidos é Rüdiger Wilfred Hans Von Pescatore, 69anos, ex-militar que morou em alguns Estados brasileiros como São Paulo, Rio Grande do Norte e Santa Catarina. Com informações do G1 e da BBC.
Em 2016, o ex-militar chegou no Estado catarinense. Uma de suas últimas moradas no Brasil foi justamente no Vale do Itajaí, onde viveu com a esposa, a filha, o genro e os netos. Depois, Pescatore fixou residência em um sítio em Indaial, enquanto sua filha decidiu se mudar para Pomerode, que fica a 30 quilômetros de distância.
O alemão e seus familiares ficaram em Santa Catarina até 2020, mas mesmo depois de retornarem ao seu país de origem, mantiveram algumas empresas que haviam aberto no Brasil. Um dos negócios é uma consultoria empresarial que fica localizada em uma casa no centro de Pomerode. Já o outro negócio é do ramo de painéis de energia solares e fica em Blumenau.
De acordo com as investigações, as duas empresas continuam funcionando e estão no nome de Pescatore. Segundo a polícia alemã, os negócios serão investigados com ajuda das autoridades brasileiras, e se alguma atividade ilícita for comprovada, será emitida uma ordem de fechamento dos estabelecimentos.
Para chegar aos suspeitos, as autoridades alemãs realizaram uma grande operação no país todo. Pescatore, por exemplo, já vinha há algum tempo sendo investigado após ter sido identificado como um possível Reichsbürger (Cidadãos do Reich, em tradução livre), ou seja, integrante de um grupo que nega a existência da República Federal da Alemanha como Estado.
Os suspeitos foram presos nos Estados alemães de Baden-Wuerttemberg, Baixa Saxônia, Baviera, Berlim, Hesse,Turíngia e Saxônia. Alguns outros foram detidos fora da Alemanha, em países como Áustria e Itália.
Cerca de 3 mil policiais participaram de 150 operações ocorridas em 11 dos 16 Estados alemães. Metade das prisões foi realizada nos Estados de Baden-Wuerttemberg e Baviera.
O Ministério Público Federal da Alemanha revelou que os suspeitos estavam se preparando desde novembro do ano passado para realizar uma série de ações que culminariam na invasão do Parlamento do Reichstag e na tomada do poder, mediante um golpe.
O Ministério também contou que o objetivo do grupo era derrubar o sistema republicano e substitui-lo por um modelo de Estado baseado na Alemanha de 1871, ou seja, no segundo Reich.
O grupo está envolvido em negócios ilícitos como aquisição de equipamentos e armas ilegais, recrutamento de novos membros e administração de aulas de tiros não autorizadas.
A organização recrutou principalmente membros das forças armadas e policiais por serem pessoas com preparo físico e com conhecimentos de combate e uso de armas. Para atingir seus objetivos, o grupo pretendia usar a força física e planejava, inclusive, sequestros e assassinatos.
As investigações apontam que um aristocrata conhecido como príncipe Heinrich 13, 71 anos, pode ser um dos dois líderes do grupo e também um dos principais colaboradores para viabilizar as ações ilícitas. A família do alemão é uma das mais tradicionais do país e governou até 1918 o que hoje é o Estado da Turíngia.
Rüdiger von P., apontado como o outro líder da organização, também foi detido. O alemão é suspeito de tentar recrutar policiais do norte da Alemanha e também de tentar contato com quartéis do Exército.
A russa Vitalia B. é outra suspeita. As investigações apontam que ela estava recrutando membros direto de Moscou, na Rússia. Outra mulher considerada como possível integrante do grupo é a juíza Birgit Malsack-Winkemann. Ambas estão presas. As autoridades estimam que ao todo cerca de 50 pessoas façam parte da organização.