09/12/2022 | 08:00 | Polícia
Ambos também estão impedidos de se manifestar em locais com aglomeração de pessoas, por decisão judicial.
A Justiça de Santa Catarina negou a prisão e determinou medidas cautelares contra os dois acusados de torturar um homem que criticou os atos antidemocráticos em Itapema, no Vale do Itajaí.
Gabriel Alexandre Garcia e Carlos Ramon Faila estão proibidos de voltar ao acampamento bolsonarista e impedidos de participar de qualquer manifestação com aglomeração de pessoas. Além disso, não podem tentar qualquer contato com a vítima, segundo decisão do juiz Rafael Bruning, de quarta-feira (7).
Os dois foram os primeiros identificados na investigação policial que apura a ação de um grupo que forçou um homem de 41 anos a repetir frases ditadas por eles, entre outras ações ilegais no dia 19 de novembro.
Ambos viram réus em 25 de novembro e respondem o processo em liberdade. A defesa de ambos, através do advogado Rafael Cardoso Costa, informou à reportagem nesta quinta-feira (8) que não irá se manifestar por enquanto.
Entenda o caso
Os vídeos que circularam nas redes sociais no dia 20 de novembro mostram um homem sendo forçado a usar um boné do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), enquanto repetia frases ditadas pelo grupo.
Autônoma, a vítima trabalha com fretes e fez um vídeo, no sábado (19), falando que estava na frente de "bolsonaristas" onde foi "tomar um café e beber uma água", em tom de crítica.
Segundo o advogado Marcelo Saccardo Branco, que defende a vítima, o vídeo em que o homem criticava os atos foi encaminhado a um grupo de conhecidos do autônomo, mas chegou aos bolsonaristas que resolveram repreendê-lo.
'Armadilha'
Na tarde de domingo, após o vídeo dele chegar ao grupo de bolsonaristas, o homem recebeu uma ligação para buscar um sofá em um edifício no bairro Meia Praia, segundo o advogado Marcelo Saccardo Branco. Para a defesa, o telefonema foi uma armadilha.
Às margens da rodovia, o homem teria sido obrigado a beber água e café, enquanto ouvia xingamentos. Mais tarde, teria sido forçado a participar dos atos antidemocráticos, com bandeiras do Brasil presas ao corpo.
O profissional autônomo ficou "sem liberdade", segundo o advogado, por pelo menos cinco horas. Os homens gravaram as ações e as compartilharam nas redes sociais.