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09/12/2022 | 06:11 | Polícia | Trânsito

VÍDEO: estudantes são atropelados após caminhão colidir com carro em Xangri-lá

Motorista não tem carteira de habilitação e foi preso em flagrante

Motorista não tem carteira de habilitação e foi preso em flagrante
Reprodução

Nesta sexta-feira (9) que marcará nove dias após o Ministério da Economia cortar R$ 5,72 bilhões no orçamento do governo federal, a estudante de doutorado em Fisiologia da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) Vanise Pereira de Medeiros, 36 anos, lidará com um amargo problema: a fatura do cartão de crédito vence, mas ela não terá como pagar. 

A bióloga é uma entre 200 mil pesquisadores de mestrado e doutorado que não receberam o salário na quarta-feira (7) devido aos bloqueios orçamentários no governo federal para cumprir o teto de gastos, segundo dados da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), agência de fomento à ciência. A instituição não informou o número de afetados no Rio Grande do Sul.

— O valor que a gente recebe por mês da bolsa no doutorado é de R$ 2,2 mil. Com esse valor, pago aluguel e todas as despesas de alimentação, condução, remédio, sobrevivência. Não temos fim de semana, não temos feriado, não temos férias remuneradas, não temos 13º, não temos FGTS, não temos INSS, não temos passagem de ônibus. Meu cartão de crédito vence amanhã, não vou conseguir pagar. Não tenho outra fonte de renda, nós assinamos um contrato de exclusividade, não podemos ter outro tipo de trabalho, nem vender brigadeiro na esquina. Na minha vida, eu não pagarei as contas neste mês. É triste — diz a pesquisadora. 

A situação deverá ser revertida: após ampla repercussão negativa, o ministro da Educação, Victor Godoy, anunciou na tarde desta quinta-feira (8) que obteve, do Ministério da Economia, liberação de R$ 460 milhões. O valor será usado para assistência em moradia, transporte e alimentação de alunos de baixa renda, bolsas de permanência do Programa Universidade para Todos (ProUni), bolsas PET, bolsistas de pós-graduação da Capes, entre outros.

Vanise estuda as variantes da covid-19 em Porto Alegre e foi responsável, com colegas, por identificar o primeiro caso de Ômicron na capital gaúcha. Com a incerteza de pagamento, sente-se desvalorizada. 

— Tudo que a gente se empenha, a gente não vê valorização por parte do governo. Com a defasagem do valor, está bem complicado sobreviver. As pessoas perguntam por que estou nessa área. É a única forma de fazer pesquisa no Brasil, precisamos passar por mestrado e doutorado. Mas sinto vontade de desistir - diz Vanise. 

O corte de R$ 5,72 bilhões foi definido pelo Ministério da Economia, mas cada pasta decide onde a redução será feita. Pressionado, o governo publicará nesta semana portaria liberando R$ 3,3 bilhões para despesas não obrigatórias em várias áreas. Desses valores, R$ 300 milhões foram para o MEC — nesta quinta, o valor liberado subiu para R$ 460 milhões.

O Hospital de Clínicas de Porto Alegre (HCPA) e o Grupo Hospitalar Conceição (GHC) também sofreram cortes, de R$ 35,4 milhões. Um protesto de residentes na manhã desta quinta-feira (8) manifestou indignação contra a medida, uma vez que ficarão sem salário. Um dos afetados é o farmacêutico Gabriel Chiomento da Motta, 27 anos, que recebe bolsa de R$ 4,1 por mês. 

— Não tendo dinheiro, não tem como pagar aluguel, internet, telefone e gastos do dia a dia. Nenhuma pessoa quer trabalhar para não receber salário. Não tenho quem pague o aluguel por mim. Tenho família, mas ela não consegue pagar aluguel e custo de alimentação. É chocante: num dia tá tudo certo, mas no próximo tu pode não receber nada — afirma Motta. 

A Associação Nacional dos Pós-Graduandos (ANPG) convocou todos os bolsistas de pesquisa do país a paralisar as atividades nesta quinta-feira. “São milhares de jovens pesquisadores que têm sua sobrevivência ameaçada concretamente pela quebra de contrato ao não serem pagos por seu trabalho produzindo ciência no país. Estamos falando de milhares de jovens, o qual possuem como única renda as bolsas de estudos”, diz a entidade, em nota.

É o caso da doutoranda em Biociências na Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA) Helena de Castro e Glória, 32 anos, que estuda células cancerígenas desde o primeiro ano da graduação em Biomedicina.

Cinco estudantes ficaram feridos após um caminhão bater em um carro em Xangri-lá, no Litoral Norte. Um grupo de alunos atravessava a Avenida Paraguassú na manhã desta quinta-feira (8), na faixa de segurança, quando ocorreu a colisão, e acabaram atingidos pelos dois veículos. 

Imagens de câmeras de segurança mostram o momento do choque. Os adolescentes caem no chão após serem atingidos.

Segundo a Brigada Militar, o condutor do caminhão não teria avistado os veículos parados antes da faixa de segurança. Ao tentar desviar, acabou colidindo em um automóvel vermelho e seguiu desgovernado até bater em uma cerca. 

Ainda conforme a corporação, todos os feridos têm 12 anos. Eles foram encaminhados ao hospital Santa Luzia, em Capão da Canoa, mas não apresentam risco de vida. No caso mais grave, um menino teve o braço e a perna fraturados. 

O motorista não tem carteira de habilitação. Ele foi preso em flagrante e encaminhado à delegacia do município. Segundo a Polícia Civil, ele deverá ser indiciado por lesão corporal culposa, quando não há intenção de cometer o crime. 

Em nota, a prefeitura de Xangri-lá informou que os adolescentes estudam na Escola Municipal Major João Marques e estavam retornando de um piquenique de confraternização de final de ano. Alguns professores acompanhavam o grupo no momento do acidente.

Fonte: GZH
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