03/12/2022 | 14:36 | Polícia
Com 21 suspeitos presos, incluindo gerente de banco e jogador de futebol amador, grupo também comprava prédios na planta no RS
Após deflagrar, no dia 24 de novembro, no Rio Grande do Sul e em Santa Catarina, a operação "The Office" contra um esquema de telentrega de drogas sintéticas e maconha contrabandeada do Uruguai, a polícia realiza uma nova fase da investigação. Os criminosos, que já compraram três prédios em cidades gaúchas — todos na planta —, estavam investindo em outros 10 imóveis no Estado vizinho.
Há duas semanas, 18 pessoas haviam sido detidas e, desde então, outras três foram presas, totalizando 21. Entre elas, uma gerente de banco e um jogador de futebol amador que atuavam na organização criminosa. O grupo, segundo a polícia, lavou mais de R$ 1 milhão com imóveis, veículos de luxo e depósitos em 47 contas bancárias.
A investigação do titular da 2ª Delegacia do Departamento de Investigações do Narcotráfico (Denarc), delegado Wagner Dalcin, também apontou que o dinheiro tinha como origem principal a venda de entorpecentes para cerca de cinco mil clientes na Região Metropolitana de Porto Alegre. Um fato que sustenta a suspeita é a apreensão de um caderno com nomes, telefones, endereços e pedidos de usuários de drogas.
Sobre os imóveis em Santa Catarina, Dalcin diz que a maioria dos empreendimentos — entre casas e prédios — fica no litoral. Eles foram descobertos na análise de documentos apreendidos no dia da operação. Além disso, entre os nove investigados que ainda estão foragidos, estaria o suposto líder do esquema criminoso.
— Com isso, parte destes imóveis conseguimos comprovar não só com os documentos e demais provas, mas também durante as buscas aos suspeitos, que continuam e não vão parar, em Santa Catarina — explica Dalcin.
No dia 24 de novembro, cerca de cem agentes cumpriram 23 mandados de busca e outros 23 de prisão. Houve ainda o cumprimento de 10 ordens judiciais de apreensão de imóveis e veículos. Também foram bloqueadas 27 contas bancárias. Os nomes dos presos não foram divulgados pelo Denarc. Os delitos apurados foram associação criminosa, tráfico de drogas e lavagem de capitais.
Alguns detalhes chamaram a atenção de Dalcin. Um deles, durante cumprimento das buscas judiciais, foi a apreensão de uma espingarda calibre 22 com luneta. Ela seria de uso pessoal de uma traficante, que teria customizado a arma. Em outro caso, em um condomínio no bairro Bom Jesus, zona leste de Porto Alegre, foi localizado um aquário revestido em mármore. Ele tem mais de dois metros quadrados e fica embaixo de uma escada. A residência em que foi instalado pertenceria a um dos líderes da quadrilha.
Foi neste local que também foram encontradas anotações com mais de 5 mil clientes dos traficantes. As negociações eram feitas por meio de redes sociais e WhatsApp. Já os pagamentos, sempre feitos via Pix. Os traficantes vendiam todo o tipo de droga sintética, mas, conforme os anúncios feitos por eles na internet, LSD, ecstasy e seu princípio ativo, MDMA, eram as principais.
A polícia encontrou, inclusive, uma tabela de preços por unidade e por grama. A droga era encomendada basicamente de Santa Catarina. Em relação à maconha, Dalcin destaca que eles vendiam apenas a "flor" ou "camarão" do Uruguai. O entorpecente tem alto poder alucinógeno e cada grama custa mais de R$ 50.
Sobre a gerente de banco presa, o delegado diz que se trata da companheira de um dos traficantes detidos, que facilitava o repasse de dinheiro para contas bancárias em nome de laranjas, bem como a retirada de valores dos caixas eletrônicos na agência em que trabalhava. O jogador de futebol, segundo a apuração, em princípio, seria um pilar para lavagem de dinheiro relacionado a investimentos na carreira de atleta. Além deles, o filho de um empresário, que foi um dos detidos alguns dias depois da operação, tem a participação no esquema em apuração.