11/11/2022 | 05:29 | Polícia
Entendimento da polícia foi de que Andrei Goulart havia se suicidado em 2016; três anos depois, Ministério Público acusou tio pelo crime
As audiências do caso que apura a morte de Andrei Goulart, 12 anos, iniciaram-se na tarde desta quinta-feira (10). Seu tio, o policial militar da reserva Jeverson Olmiro Lopes Goulart, é réu por homicídio e estupro de vulnerável contra o sobrinho. O menino foi encontrado morto dentro de casa quando estava sozinho com o tio, em novembro de 2016.
Cinco pessoas foram ouvidas. Entre elas, Cátia Goulart, mãe de Andrei e irmã de Jeverson. Prestaram depoimentos também o companheiro de Cátia, o pai e os dois irmãos de Andrei.
Cátia foi a primeira a levantar a hipótese do envolvimento do irmão no caso. Em 2017, um ano depois do crime, a Polícia Civil concluiu que não houve crime e que Andrei havia cometido suicídio. Passados três anos, ela conseguiu fazer com que o Ministério Público denunciasse o PM como responsável pelo homicídio.
— É uma mistura de emoção. É uma vitória dentro da tragédia, pois conseguimos chegar até aqui. Meu coração está um pouco menos dolorido. Eu tenho esse deve de honrar o nome dele — relatou Cátia, após a audiência.
As oitivas foram encerradas por volta das 21h15min. Segundo o juiz Thomas Vinícius Schons, responsável pelo caso, outras oito testemunhas já foram arroladas no processo. O Ministério Público ainda pediu a inclusão de mais duas testemunhas.
Passada esta etapa, as pessoas indicadas para a defesa serão ouvidas. Ainda não há definição de data para a próxima audiência. O objetivo do Judiciário é que ocorram ainda em 2022.
Relembre o caso
Conforme a denúncia do MP, na noite de 29 de novembro de 2016, Andrei ficou sozinho em casa com o tio quando a mãe e a irmã saíram para uma festa de aniversário. O tenente, que tem casa no Rio de Janeiro, estava morando provisoriamente no apartamento com a família e dividindo quarto com Andrei. Já na reserva da BM, havia assumido cargo em comissão no Ministério Público do Rio Grande do Sul três semanas antes.
Por volta das 23h20min, Cátia retornou para a moradia e conversou com Andrei e com o tenente. Ela declarou que seu filho já parecia estar "estranho e acuado, sem fazer as brincadeiras costumeiras". Jeverson teria dito que estava com muito sono.
Por volta das 2h, o tenente acordou Cátia no quarto ao lado, dizendo que uma tragédia havia acontecido. A mãe foi até o cômodo e encontrou seu filho morto com as duas mãos segurando a arma do tio pelo cano.
Contraponto
GZH tentou contato com o advogado Edson Perlin, que defende Jeverson Olmiro Lopes Goulart, mas até o momento não teve retorno.