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01/11/2022 | 05:16 | Polícia

Cinco meses depois, assassinato de PM durante briga ainda é investigado no norte do RS

Polícia Civil afirma que aguarda resultado de laudo para verificar se atirador agiu em legítima defesa ou não

Polícia Civil afirma que aguarda resultado de laudo para verificar se atirador agiu em legítima defesa ou não
Morto a tiros em maio, Viniciu Reinaldo Albrecht estava na BM desde 2009 - Divulgação / Brigada Militar

A morte de Viniciu Reinaldo Albrecht, 37 anos, em maio, segue sendo investigada. O policial militar foi morto a tiros em uma propriedade rural em Ciríaco, no norte do Estado, durante uma briga com um agricultor. Conforme a Polícia Civil, as equipes aguardam o resultado de perícias para concluir a apuração. Até o momento, ninguém foi preso.

Segundo o delegado de Ciríaco, Diogo Ferreira, é aguardado o resultado da perícia de confronto balístico para entender qual arma foi usada para matar o soldado. No dia do crime, duas armas foram recolhidas do local, ambas de Albrecht.

— Essa perícia vai nos ajudar a desvendar se ele foi morto com alguma dessas duas armas ou se foi usada uma terceira. Isso vai impactar nas conclusões do inquérito, ajudará a verificar se quem matou o policial agiu em legítima defesa, como afirma, ou não. Como apenas o atirador e o PM estavam no local, é preciso verificar o que realmente aconteceu. A questão da perícia é muito importante, até para delimitar quais versões procedem, pois há algumas divergências — disse o delegado.

Não há prazo para entrega do laudo técnico, que é produzido pelo Instituto-Geral de Perícias do Estado (IGP-RS).

O caso ocorreu em 21 de maio, na localidade de Cruzaltinha, área rural de Ciríaco. Naquele dia, Albrecht estaria na propriedade rural a pedido de uma terceira pessoa, e permaneceria ali durante o fim de semana para cuidar do local. Ele se deslocou até a localidade após terminar o plantão pela BM, em Tapejara, onde estava lotado e também residia, já no período de folga.

O confronto ocorreu à tarde, quando um agricultor teria chegado ao local afirmando que estava retomando a posse das terras. Após discussão, os dois teriam entrado em luta corporal, que evoluiu para o disparo que resultou na morte do PM. O agricultor também foi baleado naquele dia. Ele conseguiu sair do local e pedir ajudar. Chegou a ficar internado em um hospital de Passo Fundo, mas foi liberado depois. O PM morreu no local.

— Estavam ocorrendo algumas brigas pela posse das terras, entre o atirador e uma terceira pessoa, que é mais um ponto que também é investigado — complementa o delegado, que prefere não entrar em detalhes do caso enquanto a perícia não é concluída.

Ao longo da investigação, foram ouvidos pelas equipes o atirador e essa terceira pessoa, além de testemunhas que ajudaram a socorrer o agricultor que disparou contra Albrecht.

PM estava na corporação desde 2009
Natural de Jacutinga, também no Norte, Viniciu Reinaldo Albrecht era casado e deixou dois filhos — uma menina de oito anos e um menino de seis.

O soldado atuava na BM desde 2009, e trabalhou praticamente toda a sua carreira nos municípios de Tapejara e Santa Cecília do Sul. Além do policiamento ostensivo, o soldado atuava pelo Programa Educacional de Resistência às Drogas e à Violência (Proerd), fazendo conscientização de jovens em escolas públicas e particulares em diversas cidades da região. Ele participava como instrutor do programa desde 2018. Recentemente, havia concluído o curso nacional de formação de mentores do Proerd.

A morte do PM causou comoção na região, segundo o comandante do 3º Regimento de Polícia Montada (RPMon), tenente-coronel Marco Antônio dos Santos Morais:

— Era extremamente dedicado ao serviço, um policial exemplar. Não havia nada na ficha funcional que desabonasse sua conduta. Ele exercia esse trabalho junto à comunidade, em Tapejara e municípios do entorno, um trabalho social e muito importante, tanto que houve uma comoção na região quando ocorreu o fato.

Apesar de o policial estar de folga no momento do crime, a BM abriu um inquérito policial militar (IPM) em razão da repercussão do caso. O procedimento normalmente serve para apurar a conduta de PMs durante o serviço. Segundo Morais, nenhum crime ou transgressão foi constatado durante a apuração da BM.

Fonte: GZH
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