01/10/2022 | 07:15 | Polícia
Debora Moraes, de 30 anos, teria sido enforcada pelo ex-companheiro em 12 de setembro. Vítima era coordenadora do Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB). Homem está preso.
A Polícia Civil encontrou, nesta sexta-feira (30), dois explosivos caseiros na residência do suspeito de matar a líder de movimento social Debora Moraes, de 30 anos, na Zona Leste de Porto Alegre. O crime ocorreu em 12 de setembro.
O suspeito, ex-companheiro da vítima, foi preso em flagrante na ocasião e permanece em prisão preventiva desde então. O nome dele não foi divulgado pela polícia em razão da Lei de Abuso de Autoridade.
As granadas de fabricação artesanal foram localizadas durante cumprimento de mandado de busca e apreensão na casa do homem no bairro Medianeira. A polícia apurava a suspeita de que o local abrigasse armas.
Com a identificação dos artefatos, o local foi isolado. Equipes do Batalhão de Operações Especiais (BOPE) da Brigada Militar e do Corpo de Bombeiros Militar (CBM) atuaram para retirar os explosivos do imóvel.
Relembre o caso
Debora Moraes era coordenadora do Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB) em Porto Alegre.
De acordo com a Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (DEAM), o homem chamou o Samu dizendo que a vítima teria tirado a própria vida. Contudo, os socorristas chamaram a polícia, que verificou inconsistências na versão apresentada pelo suspeito.
Testemunhas ouvidas pela polícia relataram que a mulher tinha um relacionamento complicado com o suspeito e que desejaria romper o vínculo. Debora chegou a ter uma medida protetiva contra o homem, mas a norma já não estava em vigor, segundo a investigação.
Debora deixou uma filha de sete anos. Em nota, o MAB pediu justiça na condução do caso.
"Recebemos com indignação e tristeza a notícia da perda de mais uma companheira pela violência do patriarcado. [...] Era uma mulher jovem, mãe, alegre e aguerrida, que se colocava na linha de frente da luta por justiça. Débora tinha acabado de conquistar o direito ao reassentamento e, sequer, pôde vivenciar sua conquista", disse a entidade na época do crime.