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05/09/2022 | 06:49 | Geral

Chile rejeita nova Constituição por ampla maioria

Mais de 15 milhões de eleitores foram convocados às urnas em um dia com alta participação pelo voto obrigatório

Mais de 15 milhões de eleitores foram convocados às urnas em um dia com alta participação pelo voto obrigatório
Pessoas que rejeitam o novo projeto de constituição comemoram depois de saber dos primeiros resultados da votação, em Santiago - MARTIN BERNETTI / AFP

O Chile rejeitou neste domingo (4), por ampla maioria, a proposta de uma nova Constituição que buscava trocar aquela herdada da ditadura de Augusto Pinochet (1973-1989) por outra com mais direitos sociais. O resultado que superou as expectativas mais otimistas da oposição conservadora, impondo uma dura derrota ao governo do presidente Gabriel Boric.

Por volta das 23h, com 98,43% dos votos apurados, "Rejeição" prevaleceu com 61,9% em comparação com "Aprovar", que obteve 38,10%, informou o serviço eleitoral. De acordo com o jornal chileno "La Tercera", especialistas consideram irreversível esse resultado, que apontou uma diferença de placar bem acima das projeções das pesquisas. 

— É uma derrota para a refundação do Chile — disse Javier Macaya, presidente do partido ultraconservador UDI. 

— Tremenda surra de rejeição sobre aprovação. Ninguém previu essa distância de mais de 20 pontos percentuais — disse a socióloga Marta Lagos, fundadora do instituto de pesquisas Mori, que descreveu o resultado como um "fracasso retumbante", escreveu no Twitter.

Mais de 15 milhões de eleitores foram convocados às urnas em um dia com alta participação pelo voto obrigatório.  "Apruebo" ganhou quase exclusivamente entre a maioria dos chilenos no exterior, onde havia cerca de 100 mil eleitores registrados.

A nova Carta Magna enfatiza as questões sociais e a igualdade de gênero, consagra os direitos dos 11 povos originários do Chile, prioriza a proteção do meio ambiente e introduz os direitos à moradia, saúde e educação gratuita.

O plebiscito é o fim de um processo de três anos que começou em 2019, quando no Chile - até então considerado um exemplo de estabilidade na região - eclodiram protestos estudantis de rua exigindo mais igualdade e direitos sociais. Um ano depois, 78% do eleitorado decidiu que queria uma nova constituição para substituir a imposta pela ditadura militar, que governou o país de 1973 a 1990.

A apuração final será entregue pelo Tribunal de Habilitação Eleitoral, que tem 30 dias para fazer a sua própria recontagem e que tradicionalmente não difere muito da feita pelo Servel.

Fonte: GZH
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