Ao aliar inovação técnica com o
conhecimento acumulado ao longo de anos na atividade, produtores colhem resultados acima da média e mostram como é possível ampliar rendimentos no campo. Campeãs
em produtividade ou qualidade, quatro propriedades do Estado se sobressaem por uma combinação de ingredientes que, somados, resultam em projeções otimistas para
o próximo ano.
Adoção de tecnologia, investimento no bem-estar animal e das pessoas e a busca por atualização no setor faz com
que sacas de soja e milho e litros de leite se multipliquem nas propriedades das famílias Strobel, Baseggio e Giliotto. Já na Cabanha da Maya, o trabalho é voltado para
melhorar a qualidade do produto que vai ao prato do consumidor.
Em comum, as propriedades retratadas nesta reportagem não têm apenas
excelência no cuidado com culturas e criações, mas também a herança do conhecimento dos pais aliada à juventude dos filhos, que assumem o comando
dos negócios ou ajudam na gestão.
— Os mais novos estão ligados às tecnologias e, às vezes, os pais à técnica
um pouco rudimentar. Para os jovens, é mais fácil adaptar o conhecimento do pai para ter ganho maior — afirma Daniela Rocha, pesquisadora da área agrícola
da Fundação Getulio Vargas.
Jaime Ries, assistente técnico em Sistemas de Produção Animal da Emater, diz que, para atingir bons
resultados, o produtor deve investir na gestão do empreendimento, com treinamento da mão de obra e assessoramento técnico. No caso da pecuária, conhecer as
exigências nutricionais das diferentes raças e fornecer a cada uma delas a alimentação adequada é condição indispensável para o
sucesso na produção. Já na lavoura, o gerente técnico estadual da Emater, Dulphe Pinheiro Machado Neto, afirma que a primeira preocupação deve ser
com o manejo adequado do solo.
Para desafiar o agricultor a fazer com que a produção da principal cultura de verão do Rio Grande do Sul renda
sempre mais, o Comitê Estratégico Soja Brasil (Cesb) realiza a cada ano o Desafio Nacional de Máxima Produtividade da Safra. A competição já teve
gaúchos como campeões nacionais na categoria irrigada — mas em áreas de sequeiro o desempenho dos produtores do Estado está muito condicionado ao
clima.
— O Rio Grande do Sul depende demais da chuva. Quando a distribuição é melhor, a produtividade cresce. Se continuar como
está agora, a tendência é de bom rendimento — diz Ricardo Balardin, sócio-fundador do Cesb.
Irrigação como divisor
de águas
Quando a água chegou à lavoura por meio de pivôs de irrigação, a Agropecuária Capané viu o
negócio prosperar até nos períodos de seca. A média de cem sacas de milho por hectare em área de sequeiro saltou para 229 quando irrigada e quase
triplicou nos 10 hectares com tratamento diferenciado para manejo de alta produtividade, onde foram colhidas 275 sacas por hectare. A propriedade dos Strobel, em Cachoeira do Sul, teve a
maior média de produtividade em milho no Clube da Irrigação (criado pela Farsul, une empresas e produtores com o objetivo de alcançar até 300 sacas de
milho e 120 sacas de soja por hectare).
— O divisor de águas foi a irrigação. Em 2007, começamos a colocar pivôs e, a partir
daí, conseguimos produções maiores.
O custo de R$ 6 mil por hectare foi pago em quatro anos. É o melhor investimento que se pode fazer. O
retorno é rápido e garante a produção — pondera o engenheiro agrônomo Udo Strobel, 37 anos, filho do agricultor Erico.
Com
69 anos, Erico participa de todas as decisões sobre o negócio. A filha Priscila, 43 anos, é administradora e integra o time de frente da Agropecuária
Capané. Mas o segredo para ter êxito no milho em uma cidade de baixa altitude, de menos de cem metros em relação ao nível do mar, não fica apenas na
irrigação. Correção de área por agricultura de precisão, emprego de genética de ponta nas sementes e máquinas de última
geração também contribuem para os bons resultados alcançados.
— Estamos nos igualando ao Planalto Médio. É mais
fácil produzir 220 sacas lá do que aqui — diz o engenheiro agrônomo.
Para esta safra, Udo está otimista com o rendimento dos 300
hectares de milho: acredita que colherá cerca de 240 sacas por hectare. Na soja, que abrange 80% da lavoura, a colheita também é acima da média: 54 sacas entre
irrigado e sequeiro e de 75 a 80 sacas na área irrigada.