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30/12/2014 | 06:23 | Geral

Lições dos campeões do campo

Produtores gaúchos reconhecidos pelo bons resultados no cultivo de grãos e na pecuária mostram o que fizeram para ampliar os rendimentos

Produtores gaúchos reconhecidos pelo bons 

resultados no cultivo de grãos e na pecuária mostram o que fizeram para ampliar os rendimentos
Investimento em sementes, máquinas e equipamentos levou os Strobel a conseguir 275 sacas de milho por hectare (Foto: Marcus Tatsch / Especial)
Ao aliar inovação técnica com o conhecimento acumulado ao longo de anos na atividade, produtores colhem resultados acima da média e mostram como é possível ampliar rendimentos no campo. Campeãs em produtividade ou qualidade, quatro propriedades do Estado se sobressaem por uma combinação de ingredientes que, somados, resultam em projeções otimistas para o próximo ano.
Adoção de tecnologia, investimento no bem-estar animal e das pessoas e a busca por atualização no setor faz com que sacas de soja e milho e litros de leite se multipliquem nas propriedades das famílias Strobel, Baseggio e Giliotto. Já na Cabanha da Maya, o trabalho é voltado para melhorar a qualidade do produto que vai ao prato do consumidor. 
Em comum, as propriedades retratadas nesta reportagem não têm apenas excelência no cuidado com culturas e criações, mas também a herança do conhecimento dos pais aliada à juventude dos filhos, que assumem o comando dos negócios ou ajudam na gestão.
— Os mais novos estão ligados às tecnologias e, às vezes, os pais à técnica um pouco rudimentar. Para os jovens, é mais fácil adaptar o conhecimento do pai para ter ganho maior — afirma Daniela Rocha, pesquisadora da área agrícola da Fundação Getulio Vargas.
Jaime Ries, assistente técnico em Sistemas de Produção Animal da Emater, diz que, para atingir bons resultados, o produtor deve investir na gestão do empreendimento, com treinamento da mão de obra e assessoramento técnico. No caso da pecuária, conhecer as exigências nutricionais das diferentes raças e fornecer a cada uma delas a alimentação adequada é condição indispensável para o sucesso na produção. Já na lavoura, o gerente técnico estadual da Emater, Dulphe Pinheiro Machado Neto, afirma que a primeira preocupação deve ser com o manejo adequado do solo.
Para desafiar o agricultor a fazer com que a produção da principal cultura de verão do Rio Grande do Sul renda sempre mais, o Comitê Estratégico Soja Brasil (Cesb) realiza a cada ano o Desafio Nacional de Máxima Produtividade da Safra. A competição já teve gaúchos como campeões nacionais na categoria irrigada — mas em áreas de sequeiro o desempenho dos produtores do Estado está muito condicionado ao clima.
— O Rio Grande do Sul depende demais da chuva. Quando a distribuição é melhor, a produtividade cresce. Se continuar como está agora, a tendência é de bom rendimento — diz Ricardo Balardin, sócio-fundador do Cesb.
Irrigação como divisor de águas
Quando a água chegou à lavoura por meio de pivôs de irrigação, a Agropecuária Capané viu o negócio prosperar até nos períodos de seca. A média de cem sacas de milho por hectare em área de sequeiro saltou para 229 quando irrigada e quase triplicou nos 10 hectares com tratamento diferenciado para manejo de alta produtividade, onde foram colhidas 275 sacas por hectare. A propriedade dos Strobel, em Cachoeira do Sul, teve a maior média de produtividade em milho no Clube da Irrigação (criado pela Farsul, une empresas e produtores com o objetivo de alcançar até 300 sacas de milho e 120 sacas de soja por hectare).
— O divisor de águas foi a irrigação. Em 2007, começamos a colocar pivôs e, a partir daí, conseguimos produções maiores.
O custo de R$ 6 mil por hectare foi pago em quatro anos. É o melhor investimento que se pode fazer. O retorno é rápido e garante a produção — pondera o engenheiro agrônomo Udo Strobel, 37 anos, filho do agricultor Erico.
Com 69 anos, Erico participa de todas as decisões sobre o negócio. A filha Priscila, 43 anos, é administradora e integra o time de frente da Agropecuária Capané. Mas o segredo para ter êxito no milho em uma cidade de baixa altitude, de menos de cem metros em relação ao nível do mar, não fica apenas na irrigação. Correção de área por agricultura de precisão, emprego de genética de ponta nas sementes e máquinas de última geração também contribuem para os bons resultados alcançados.
— Estamos nos igualando ao Planalto Médio. É mais fácil produzir 220 sacas lá do que aqui — diz o engenheiro agrônomo.
Para esta safra, Udo está otimista com o rendimento dos 300 hectares de milho: acredita que colherá cerca de 240 sacas por hectare. Na soja, que abrange 80% da lavoura, a colheita também é acima da média: 54 sacas entre irrigado e sequeiro e de 75 a 80 sacas na área irrigada.
Fonte: Zero Hora
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