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07/07/2022 | 19:39 | Geral

Entenda como o morador da Serra chegou à guerra na Ucrânia

Gaúcho utilizou as redes sociais para fazer contatos com brasileiros que já estavam atuando no conflito

Gaúcho utilizou as redes sociais para fazer contatos com brasileiros que já estavam atuando no conflito
Mãe de Douglas, Cleuza Marisa Rodrigues Búrigo mostra as fotos do filho e reúne forças para enfrentar o momento de dor - Bruno Todeschini / Agencia RB

A viagem de um morador da Serra para atuar no conflito entre Rússia e Ucrânia chamou a atenção sobre como o gaúcho Douglas Búrigo, 40 anos, chegou ao Leste Europeu. 

O comandante Sandro Silva, do pelotão onde o morador de São José dos Ausentes atuava depois de se unir às tropas ucranianas e onde morreu vítima de um bombardeiro, explica que há organizações oficiais e outras que atuam no país, mas não são vinculadas ao governo. Como há diversas unidades que recebem estrangeiros, e algumas não têm coordenação militar, muitos voluntários têm chegado até ele, já no país, depois que postou vídeos nas redes sociais.

Ele está na Ucrânia desde fevereiro, e disse que mais de 500 pessoas já entraram em contato. Entre elas, Douglas e a paulista Thalita do Valle, 39 anos, outra vítima do mesmo bombardeio que tirou a vida de Búrigo. Silva conta que os dois chegaram até o batalhão depois de contatar o gaúcho André Luís Hack Bahi, 44 anos, primeiro brasileiro a morrer na Guerra. 

 

— Muitos vêm por conta para cá. Outros contatam unidades que não são oficiais ou ainda que não têm coordenação militar e atuam na proteção territorial, sem coordenação militar, sem armamento especializado. Tem unidades vinculadas ao governo ucraniano e outras não. O Douglas e Thalita contataram o André, e eles estavam com outras unidades. 

Ele ressalta que eles pediram como poderiam integrar o batalhão:

— Como sou comandante e tenho acesso na  Legião Internacional para Defesa da Ucrânia, conversei com eles e eles pediram ajuda. Levou cerca de 10 dias para que eles conseguissem vir se unir ao batalhão. Aqui eles tinham orientações, equipamento adequado, alimentação, alojamento e ajuda.

Relembre o caso

Douglas Búrigo foi o segundo voluntário gaúcho morto na Guerra da Ucrânia. Ele viajou em 22 de maio com o objetivo de prestar ajuda humanitária nos conflitos com a Rússia, mas acabou no front na região de Kharkiv, onde foi vítima de um bombardeio entre a noite de sexta-feira (1º) e a manhã de sábado (2). 

Na quarta (6), o Ministério das Relações Exteriores afirmou ter recebido, por meio da Embaixada do Brasil em Kiev, na Ucrânia, a confirmação da morte do morador de São José dos Ausentes e também de Thalita do Valle, natural de São Paulo. 

A família de Douglas decidiu que irá autorizar a cremação do gaúcho para que as cinzas sejam trasladadas para o Brasil. Para que o procedimento seja realizado, a família precisa assinar um documento, mas não há definição de quando eles vão receber essa documentação. 

A família e amigos de Douglas organizaram uma missa de sétimo dia. A celebração ocorre nesta sexta-feira (8), às 19h, com transmissão pelo Facebook do padre André Varisa, da paróquia de São José dos Ausentes. 

Filho de veterinário e de professora, Douglas serviu no Exército em Uruguaiana, na Fronteira Oeste, de 2000 a 2005, no 22º Grupo de Artilharia de Campanha Autopropulsado. Trabalhou como caminhoneiro e atualmente tinha uma borracharia com loja de pneus às margens da BR-285. 

A morte ocorreu na segunda tentativa dele de ir ao país europeu e ajudar voluntariamente as forças ucranianas. No dia 6 de abril, chegou a São Paulo para embarcar. Segundo a família, Douglas havia recebido a informação de que poderia pegar um voo internacional sem passaporte. 

Como não conseguiu, retornou a cidade, mas isso não fez com que desistisse. Aos amigos, ele dizia que tinha um sonho e uma missão e que iria ajudar as crianças que estavam machucadas e sofrendo na guerra.

Fonte: GZH
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