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10/01/2014 | 11:13 | Geral

Falha em carro da prefeitura de Santa Maria assusta sobrevivente da Kiss

Superaquecimento do motor provocou fumaça e cheiro de queimado

Superaquecimento do motor provocou fumaça e cheiro de queimado
Fumaça no motor do veículo fornecido pela prefeitura para o transporte de Kelen (Foto: Felipe Truda/G1)
Sobrevivente do incêndio na boate Kiss, na madrugada de 27 de janeiro de 2013 em Santa Maria, na Região Central do Rio Grande do Sul, a estudante Kelen Ferreira, de 20 anos, levou um susto enquanto voltava do Hospital Universitário de Santa Maria (HUSM), após passar por seções de fisioterapia e terapia ocupacional no final da tarde desta quinta-feira (9). O motor do carro da prefeitura que a levava para casa após o tratamento superaqueceu por duas vezes durante o trajeto. A fumaça e o cheiro de queimado assustaram a jovem.
"Não morri na boate e agora não quero morrer dentro de um carro", diz a jovem, que reclama das más condições do veículo oferecido pelo município para o transporte. "Em uma outra vez, o freio do carro parou de funcionar", contou.
Kelen passa por tratamento oferecido gratuitamente aos sobreviventes do incêndio que causou 242 mortes na casa noturna. Moradora do Centro de Santa Maria, ela depende do transporte oferecido pela prefeitura para se locomover até o HUSM, que fica no bairro Camobi, distante cerca de 11 km do prédio onde mora. Não é recomendado que ela ande de ônibus devido ao calor que pode afetar os dois braços, gravemente queimados durante o incêndio, e por ela ter a mobilidade limitada por uma prótese na perna direita, amputada durante os 80 dias em que ficou internada.
Não havia motorista, e o carro foi conduzido por um técnico em enfermagem do hospital, que se ofereceu para levar a jovem para casa. Ele não quis se manifestar sobre o assunto.
Durante o trajeto, a jovem disse ter sentido um cheiro de queimado. Após um tempo, insistiu que ainda sentia o cheiro. A fumaça saindo do capô dianteiro era visível quando condutor parou o veículo. Kelen desceu do carro e usou o telefone celular para gravar um vídeo. "Este é o carro que a prefeitura nos oferece", desabafou, enquanto gravava as imagens.
Após um intervalo de cerca de 10 minutos, o trajeto foi retomado. O problema voltou a ocorrer quando a jovem já estava a cerca de 20 metros do prédio onde mora. O condutor e outro funcionário da prefeitura depositaram no motor água de uma garrafa, segundo eles guardada para esta finalidade. Sem o transporte fornecido pela prefeitura, Kelen não tem condições de ir ao local de tratamento.
Questionada sobe o problema, a Secretaria de Saúde do município informou que substituiu carro que teve problemas. Além disso, afirmou que faz vistoria na frota para garantir a segurança dos pacientes.
Entenda
O incêndio na boate Kiss, em Santa Maria, região central do Rio Grande do Sul, na madrugada de domingo, dia 27 de janeiro, resultou em 242 mortes. O fogo teve início durante a apresentação da banda Gurizada Fandangueira, que fez uso de artefatos pirotécnicos no palco.
O inquérito policial indiciou 16 pessoas criminalmente e responsabilizou outras 12. Já o MP denunciou oito pessoas, sendo quatro por homicídio, duas por fraude processual e duas por falso testemunho. A Justiça aceitou a denúncia. Com isso, os envolvidos no caso viram réus e serão julgados. Dois proprietários da casa noturna e dois integrantes da banda foram presos nos dias seguintes à tragédia, mas a Justiça concedeu liberdade provisória aos quatro em 29 de maio.
Fonte: G1
Superaquecimento do motor provocou fumaça e cheiro de queimado
Kelen usa o celular para gravar imagens do motor do carro (Foto: Felipe Truda/G1)
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