Após serem interrogados na sede do Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic) em Porto
Alegre, quatro dos oito presos na Operação Kilowatt, responsável por investigar desvios em obras estaduais, foram liberados na noite desta quinta-feira (9).
Segundo o delegado Guilherme Wondraceck, diretor do Deic, as solturas foram determinadas porque os suspeitos já prestaram informações suficientes
durante os depoimentos e não representam riscos para o avanço do inquérito em liberdade.
Já os outros quatro detidos foram levados ao
Presídio Central. Na manhã desta sexta-feira (10), eles devem ser interrogados. A polícia manteve sigilo sobre o conteúdo dos depoimentos e segue não
divulgando oficialmente os nomes dos presos. Entre os soltos, estão duas mulheres.
Na lista de detidos figuram quatro empresários e quatro servidores
públicos, três deles engenheiros da 2ª Coordenadoria Regional de Obras Públicas de Novo Hamburgo e outro funcionário da Coordenadora Regional de
Educação em São Leopoldo, no Vale do Sinos. Nesta quinta (9), o governo do Estado informou que eles foram afastados dos cargos.
Entenda
A Operação Kilowatt apontou irregularidades em pelo menos seis obras públicas do estado. A operação foi
desencadeada em cidades gaúchas e também em São Paulo. No total, o valor das as obras investigadas pela Polícia Civil chega a R$ 12 milhões. Os presos
são investigados por crimes de corrupção ativa, passiva, peculato, formação de quadrilha, falsidade ideológica, fraude à
licitação e superfaturamento de valores. Uma outra pessoa também foi presa por posse ilegal de arma durante a operação.
Um dos casos
envolve o telhado da Escola Estadual Professor Oscar Pereira, em Porto Alegre, onde a reforma foi paga sem ter sido realizada. A polícia utilizou um helicóptero para comprovar
que somente as beiradas foram trocadas. As telhas velhas foram deixadas no telhado.
O delegado Joerberth Nunes, que coordenou a operação, explicou como
funcionava o esquema. "Tem uma obra aparentemente concluída, o fiscal vai até a obra e atesta algo que, na verdade, não existe, e o Estado vai pagar esse valor.
Temos elementos que comprovam que houve pagamento de propina. Agora quando, como, onde, só vamos saber ao final do inquérito", disse. "Não é a
secretaria, são alguns servidores que não podem macular a imagem do órgão", acrescentou.
Foram cumpridos 41 mandados de prisões
e busca e apreensão em órgãos públicos, empresas e residências em Porto Alegre, São Leopoldo, Novo Hamburgo, Nova Petrópolis, Ivoti e Canela,
além de São Paulo. Todos os presos atuam na região do Vale do Sinos e faziam o serviço de fiscalização em obras contratadas pelo governo do
Estado.
As investigações duraram cerca de um ano. Cerca de 150 policiais civis participam da operação. O nome Operação
Kilowatt foi dado porque a investigação iniciou depois de uma suspeita de superfaturamento em uma obra de rede elétrica, revelou o delegado Joeberth Nunes, que
coordenou a operação.