21/04/2022 | 06:21 | Polícia
Criança de 11 anos passou o mês de abril inteiro sem comparecer à unidade de ensino. Ela foi encontrada morta na quinta-feira (14).
O Conselho Tutelar de Timbó acionou a família de Luna Nathielli Bonett Gonçalves em 13 de abril, um dia antes da menina ser morta, informou o órgão nesta quarta-feira (20). Um dia antes do assassinato, o órgão foi notificado pela escola sobre as faltas da estudante.
De acordo com o delegado à frente do caso, André Beckman, a criança de 11 anos passou o mês de abril inteiro sem comparecer à unidade de ensino.
Segundo a Secretaria Estadual de Educação (SED), a escola em que a menina estudava comunicou o Conselho Tutelar do município sobre suas faltas no dia 5 de abril. Nessa terça (19), o órgão municipal disse ao g1 SC que recebeu a informação somente no dia 12 de abril, semana do falecimento de Luna.
A menina foi encontrada morta na quinta-feira (14). A mãe da criança, Tania Cristina da Silva Bonet, está presa. O g1 SC tentou contato com a defesa de Tania, mas não teve retorno até a última atualização desta matéria.
Proibidas de irem à escola
Segundo as investigações, a mãe proibiu a menina e a irmã mais nova, de 7 anos, de irem para a escola, localizada no bairro Imigrantes, pois a filha mais velha teria arrumado um namorado na escola.
Assim que receberam a notificação do colégio, via ferramenta do Programa de Combate à Evasão Escolar (Apoia), os conselheiros entraram em contato com a família. Por conta do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), o órgão não detalhou o conteúdo da conversa ou data.
Órgãos sabiam das faltas
Na terça-feira (19), a Secretaria Estadual de Educação (SED), confirmou que comunicou o Conselho Tutelar sobre as faltas da criança. Entre as mais de 10 testemunhas ouvidas pela polícia, o delegado também ouviu a diretora da escola, que falou sobre a frequência da estudante.
Em nota, a pasta da educação estadual disse que, após ser notificada sobre a ausência da menina, seguiu todos os procedimentos de combate à evasão escolar no estado. O protocolo, segundo o órgão, foi desenvolvido em parceria com o Ministério Público de Santa Catarina (MPSC).
Nesta quarta, o g1 SC procurou novamente a SED e quesitonou se, após notificar o Conselho sobre a ausência da menina nas aulas, realizou algum outro procedimento. A reportagem não recebeu retorno até as 10h15.
Crime
De acordo com a Polícia Civil de Timbó, a mãe da menina confessou que matou Luna como forma de represália, já que não aceitava que a filha havia se tornado "sexualmente ativa". A morte da vítima foi constatada na madrugada de quinta, mas a polícia informou que a menina começou a apanhar um dia antes.
No depoimento, a mulher, que não teve o nome divulgado pela polícia, também disse que deu banho e colocou a criança para dormir após agredi-la. A mulher está presa, assim como o padrasto da menina.
O padrasto ficou em silêncio durante o depoimento. Ele chegou a ser apontado pela Polícia Militar como suspeito, mas teria negado a autoria do homicídio.
Agora, a Polícia Civil quer saber se a menina foi vítima de crime contra a dignidade sexual. As investigações seguem em torno da participação do padrasto na morte da criança.