23/03/2022 | 06:54 | Geral
Dos 497 municípios gaúchos, 317 não têm uma estação rodoviária. DAER informou que, nos últimos cinco anos, pelo menos 30 encerraram as atividades em função da pandemia
A manutenção de estações rodoviárias no Rio Grande do Sul é um desafio cada vez mais difícil de cumprir. De acordo com o Sindicato de Agência e Estações Rodoviárias do Estado, dos 497 municípios gaúchos, 317 não têm uma estação rodoviária, o equivalente a 63,7% do total das cidades.
Júlio de Castilhos, na Região Central, é uma das 130 que encerraram as operações nas últimas três décadas. A empresa que atuava no local há cinco não renovou o contrato de prestação de serviços, e deve ser aberto um processo para nova concessão.
Conforme o presidente do sindicato, Nelson Noll, impostos e diminuição no número de passageiros dificultam a continuidade do serviço. Em 2021, segundo ele, a queda na venda de passagens foi de 82%.
"O que precisa, na verdade, é exatamente um novo plano-diretor que trate das estações rodoviárias e que seja o marco regulatório do setor. A partir daí, a gente pode dizer: 'Agora existe uma grande possibilidade de ampliar a rede de estações rodoviárias no estado'", aponta.
Outro problema é a falta de investimentos. Em Cruz Alta, no Noroeste do estado, as más condições do prédio que abriga a estação, como goteiras e entulhos, são um problema antigo. O espaço é do município, mas a prefeitura diz que os serviços são de responsabilidade do estado, sob gerência do Daer e administrada pela concessionária. Apesar das tentativas de acordo, nada foi resolvido.
O Departamento Autônomo de Estradas de Rodagem informou que, nos últimos cinco anos, pelo menos 30 encerraram as atividades, principalmente no último biênio, em função da pandemia.
Em São Vicente do Sul , no Centro do estado, desde setembro moradores estão sem uma estação rodoviária. De acordo com a prefeitura, a empresa que fazia a comercialização das passagens não demonstrou interesse em seguir com o serviço.
Atualmente, os ônibus precisam parar em uma praça. Além da falta de estrutura, os próprios motoristas das empresas transportadoras fazem a venda dos tíquetes.
"A gente antes sabia onde pegar o ônibus, sabia os horários certinho, poderia ligar para a rodoviária. Agora não tem nem para onde ligar. A gente fica um pouco perdido", reclama o estudante Wesllen Lopes.
O metalúrgico Ângelo Fernandes se surpreendeu com a condição atual ao chegar de Porto Alegre à cidade. Ele descobriu que a rodoviária não existe mais.
"Eu fiquei perdido. Vim para cá [na praça] e fiquei aqui esperando. Só falei com o pessoal aqui e me disseram que tem que comprar a passagem direto com o motorista", lamenta.