Logomarca Paulo Marques Notícias

28/02/2022 | 06:34 | Polícia

Estelionatos têm queda de 16% no RS, mas média ainda é de 183 casos por dia

Foram 5.680 casos de trapaças comunicados à polícia no primeiro mês do ano. Veja dicas para não ser a próxima vítima

Foram 5.680 casos de trapaças comunicados à polícia no primeiro mês do ano. Veja dicas para não ser a próxima vítima
Mensagem compartilhada por vítima na tentativa de alertar para o uso de seu nome por estelionatários - Facebook / Reprodução

Convicta de que havia encontrado a casa perfeita para alugar em Erechim, no Norte, Liliane Sirilia, 38 anos, estava abrindo a porta para estelionatários. Após encaminhar documentos para a elaboração do contrato, passou a ter o nome usado por criminosos na criação de perfis falsos de locação de imóveis. Em 6 de janeiro, comunicou o caso à Polícia Civil, passando a integrar a estatística de 5,8 mil registros de golpes no Estado no primeiro mês deste ano. No comparativo com mesmo período de 2021, houve queda de 16%, mas a média é de 183 fatos por dia.

O cenário, embora seja um pouco melhor do que registrado em janeiro do ano passado, é ainda elevado em comparação com anos anteriores como 2020, quando foram 3,2 mil casos, 2019, com 2,3 mil e 2018 com 2 mil. À frente da Delegacia de Repressão aos Crimes Informáticos e Defraudações, o delegado André Anicet aponta três fatores para a redução dos indicadores: prevenção, repressão aos casos de estelionato e uma parcela de subnotificação. Desde que esse tipo de crime passou a aumentar nos últimos anos, ações vêm sendo desenvolvidas para tentar deixar a população mais alerta.

Isso porque, em geral, os golpes se repetem, com algumas variações. Mas o objetivo, de obter vantagem financeira, muitas vezes oferecendo alguma vantagem para fisgar a vítima, costuma estar no enredo da maioria das trapaças.

Como exemplos de ações que entendem que ajudaram a reduzir os casos, cita a cartilha preventiva lançada pela Polícia Civil e o aplicativo PC Alerta. Ambos reúnem informações sobre diferentes tipos de estelionato e como se prevenir. Também aponta operações, como as realizadas para combater o golpe dos nudes, com prisões de envolvidos, como forma de repressão.

— Essas ações acabam chegando ao conhecimento das pessoas e criam alerta para evitar de cair nesses golpes também — afirma.

Celular

Sobre a subnotificação, o delegado acredita que alguns casos que se tornaram mais corriqueiros, como tentativa de clonagem de WhatsApp podem nem sequer serem registrados pelas vítimas, que já conseguem se prevenir antes de serem ludibriadas. Entre os golpes mais comuns no momento, cita a captura de contas do Instagram, para a falsa venda de utensílios domésticos e móveis, e casos em que criminosos forjam serem de bancos para capturar dados das vítimas e obter dinheiro das contas.

— A internet é o principal meio pela possibilidade de atingir maior número de vítimas. O indivíduo com celular pode praticar diversos golpes. Certamente, a internet é um dos principais meios usados — afirma o delegado.

Perfis falsos

No caso de Liliane Sirilia, tudo começou quando ela fez um anúncio em um classificado na internet, buscando uma casa para alugar. Procurava uma residência mais ampla, com pátio. Foi dessa forma que começou a ter contato com o golpista. O estelionatário afirmava ter uma casa para alugar como ela queria. Chegou a enviar fotografias da parte externa e interna da residência.

— A casa tinha exatamente as características que eu tinha colocado. Era bem localizada, boa, com valor atrativo (R$ 850 mensais). Tu te emocionas — recorda.

Liliane e o marido no início não desconfiaram e chegaram a enviar todos os documentos para que ele elaborasse o contrato. A suspeita só começou quando o suposto proprietário passou a criar série de desculpas para não mostrar a residência ao casal. Primeiro, alegou que a casa estava ocupada, depois disse que não estava na cidade. Passou a pressioná-los para que enviassem por Pix dois alugueis adiantados. Só depois, faria a entrega da chave, e, no mesmo dia, poderiam se mudar.

Desconfiança

O comportamento levou o casal a suspeitar da situação e ir até o endereço para verificar a nova moradia. Foi aí que, ao conversar com a verdadeira proprietária, descobriram que o imóvel não estava disponível para aluguel e não passava de uma farsa. A mulher chegou a mostrar a área interna da casa, para que vissem que o interior da residência era diferente das fotos enviadas. O casal entrou em contato com o golpista novamente, cobrando uma posição dele, mas o contato foi bloqueado. Depois, alugaram outra casa por meio de uma imobiliária.

O transtorno inicial ganhou proporções ainda maiores, quando Liliane passou a receber mensagens de amigos e de desconhecidos questionando se ela tinha alguma casa para alugar. A primeira vez foi alertada por uma amiga, que ao ver o perfil dela em São Borja, questionou se não estava morando em Erechim. Foi aí que a mulher descobriu que seu nome, fotografia das redes sociais e até documentos estavam sendo usadas para ludibriar outras pessoas, com falsos anúncios de aluguel.

—  Fiquei em choque, brava ao mesmo tempo com vontade de chorar, de ódio. Aí surgiu outra menina, de Carazinho, perguntando se eu tinha uma irmã gêmea. Começou a se propagar, tinha classificados em Carazinho, em São Borja, em Caxias do Sul, em Santiago. As pessoas acabavam me ligando para me alertar — conta.  

Em janeiro, Liliane registrou o caso pela Delegacia Online e procurou a Polícia Civil de Erechim. Como os anúncios continuaram surgindo, inclusive usando outros nomes, com as fotografias dela, a mulher decidiu começar a fazer posts alertando sobre o golpe.

— Até explicar que não sou eu, que usaram meus dados, e que também fui enganada, me senti humilhada. Fiquei magoada porque as pessoas vêm te xingar de "caloteira, levou meu dinheiro", essas coisas. É uma sensação de impotência e de culpa, por ter enviado os documentos — lamenta. 

Como se proteger de alguns golpes

  • Golpistas, em geral, oferecem vantagens para atrair a vítima e têm pressa para obter lucro. Fique atento a isso    
  • Não envie dados pessoais ou cópias de documentos para desconhecidos  
  • Se estiver acertando qualquer tipo de aluguel, seja por temporada ou permanente, visite o imóvel antes de fechar o negócio
  • Na hora de comprar algo pela internet, desconfie se o site só aceitar pagamento por boleto ou transferência, se tiver falhas ou erros na página e se o único contato for por WhatsApp.  
  • Desconfie de publicações na internet que ofereçam serviços e bens por um valor abaixo do preço de mercado  
  • Não adquira produtos pela internet sem antes se certificar de quem está vendendo. Mesmo que seja um perfil conhecido, só efetue o pagamento após conversar diretamente com a pessoa  
  • No momento do pagamento, seja por Pix ou transferência, confira se o nome do destinatário é o mesmo de quem está adquirindo o produto
  • Não repasse códigos recebidos no celular, por exemplo. Essa é uma das principais estratégias usadas para hackear contas no WhatsApp e no Instagram
  • Certifique-se de que a pessoa com quem você está conversando, por WhatsApp por exemplo, é ela mesma. Para isso, uma dica é telefonar para a pessoa    
  • Desconfie de ligações de desconhecidos e nunca repasse informações pessoais    
  • Durante a venda de item, só entregue o produto após o dinheiro entrar na conta ou receber o valor. Não confie em comprovantes de transferência porque eles podem ser falsificados    
  • Se tiver um familiar idoso, oriente a pessoa sobre os golpes mais comuns e como se prevenir deles    
  • Caso seja vítima, registre a ocorrência. É possível utilizar a Delegacia Online. Reúna todas as informações que podem servir como provas, como dados bancários, conversas por mensagens e fotografias  
Fonte: GZH/Polícia Civil
Mais notícias sobre POLÍCIA