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09/12/2014 | 05:22 | Geral

Com baixa qualidade, trigo gaúcho é negociado com África e Ásia

Produção está sendo exportada para países que têm menor rigor no controle alimentar

Produção está sendo exportada para países que têm menor rigor no controle alimentar
Com problemas, boa parte do trigo colhido no Estado não foi vendida e está estocada nas cooperativas (Foto: Diogo Zanatta / Especial)
Das pouco mais de 1,8 milhão de toneladas colhidas na frustrada safra de trigo no Rio Grande do Sul, quase 1 milhão não têm qualidade mínima para moagem e também não podem ser destinadas à ração animal no mercado interno — devido ao alto teor de micotoxina (toxina produzida por fungos).
Para escoar a produção estocada em cooperativas e cerealistas, a alternativa encontrada foi a exportação do grão para países da África e da Ásia, onde os padrões de controle alimentar são menos rigorosos.
Até segunda-feira, de acordo com o Termasa/Tergrasa, único terminal no porto de Rio Grande que exporta trigo, foram embarcadas 170 mil toneladas. E a previsão de carregamentos até o fim do ano é de mais 230 mil toneladas.
Mesmo assim, ainda restariam outras 600 mil toneladas sem qualidade para moagem — com peso hectolitro (PH) inferior a 72 — a serem escoadas no mercado externo.
— E a janela de exportação vai, no máximo, até meados de fevereiro, quando o milho passa a ter prioridade no porto — diz Hamilton Jardim, presidente da Comissão de Trigo da Federação da Agricultura do Estado (Farsul), alertando que o produtor precisa ser rápido para não ficar com o grão estocado e sem mercado.
Indústria de cola é opção
Resultante de fungos como a giberela, por exemplo, que atacou fortemente a cultura em razão do excesso de umidade, o teor da micotoxina desoxinivalenol (chamada de Don) impede que o grão seja usado no Brasil pelo risco de provocar náusea e vômito em humanos e animais.
Pela saca do trigo exportada, os agricultores têm recebido em torno de R$ 17 – a metade do preço mínimo estabelecido para o trigo tipo 1 pão (R$ 33,45). Outra alternativa para escoar o cereal de baixa qualidade tem sido a indústria de cola de São Paulo. Boa parte do produto ainda não vendido está estocada em cooperativas gaúchas.
— Normalmente, as cooperativas recebem 50% da safra de inverno. Mas, neste ano, o volume chegou a 60%, pois a baixa qualidade do produto fez cair o interesse do mercado — afirma Paulo Pires, presidente da Federação das Cooperativas Agropecuárias do Estado (Fecoagro).
Previsão é de aumento de preços para o consumidor
Para a indústria de panificação gaúcha, restaram cerca de 800 mil toneladas em condições para moagem — com PH entre 76 e 78. Para chegar à média de 
1,6 milhão de toneladas processadas por ano, o setor terá de aumentar as importações da Argentina e dos Estados Unidos — principais países produtores.
— Trazer o grão de fora resulta em custos maiores para a indústria, inevitavelmente — aponta José Antoniazzi, presidente do Sindicato da Indústria do Trigo no RS (Sinditrigo).
De acordo com Antoniazzi, enquanto a tonelada de trigo no mercado interno custa R$ 470, o produto importado requer um desembolso de quase R$ 700 por tonelada — em torno de 50% a mais. Por isso, os moinhos já estão repassando o produto com um preço maior.
Para o consumidor, prevê Antoniazzi, a alta deverá chegar em meados de janeiro, elevando em pelo menos 15% o preço da farinha e dos produtos derivados. 
O trigo responde por 75% do custo da moagem.
No ano passado, das 1,6 milhão de toneladas de trigo processadas pela indústria de panificação no Estado, 1,3 milhão (81,2%) tiveram origem no mercado interno. Neste ano, a proporção será dividida pela metade entre grão nacional e importado.
45%
é a queda estimada pela Emater para a safra de trigo deste ano, na comparação com o resultado de 2013, quando foram colhidas 3,3 milhões de toneladas.
15%
é a alta estimada para farinha de trigo e produtos derivados no Estado em meados de janeiro, conforme o Sindicato da Indústria do Trigo no Estado (Sinditrigo-RS). 
Fonte: Zero Hora
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