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18/08/2021 | 21:15 | Polícia

PM que matou quatro em pizzaria é preso e vira réu por homicídio qualificado

Andersen Zanuni Moreira dos Santos, 25 anos, atirou contra quatro homens da mesma família após discussão na madrugada de 13 de junho

Andersen Zanuni Moreira dos Santos, 25 anos, atirou contra quatro homens da mesma família após discussão na madrugada de 13 de junho
As vítimas Alexsander (de branco), Cristiano (de cinza), Christian (de boné vermelho) e Alisson (com a camisa do Inter) - Acervo pessoal / Acervo pess

Lourdes Helena entende que a versão do soldado deve ser melhor analisada com a produção de prova judicializada, ampliando a discussão da tese de defesa e de todos seus requisitos para além do que foi apontado no inquérito policial.

Ao aceitar o pedido de prisão, a juíza afirma que Andersen praticou quatro homicídios, "em tese qualificados", como policial militar fora de serviço. Argumenta a necessidade de manter a ordem pública, considerando a gravidade do fato e do soldado ter utilizado arma funcional. "Pelos relatos, compareceu a local onde a festa familiar ocorria e teria gerado situação de conflito que redundou nas mortes. A prática das mortes se mostra inopinada e irrefletida além de conter alto teor de violência."

Soldado da Brigada Militar desde 2018, o policial chegou a ser ser afastado durante inquérito policial militar (IPM). O procedimento não viu indícios de crime militar em sua conduta e Andersen retornou as funções pública em setor administrativo. Para a magistrada, isso é um equívoco. Manter Andersen em liberdade "traz inquestionável descrédito a Justiça, pois o fato trouxe abalo e comoção social ao mesmo tempo que o denunciado permanece no exercício da função pública, contrassenso que não pode perdurar."

Também argumenta que a necessidade de detenção se dá por "conveniência da instrução criminal", para impedir que o soldado ameace testemunhas e frustre a veracidade de depoimentos, tendo em vista que os depoimentos das duas mulheres que presenciaram as mortes colocam dúvida na tese de legítima defesa.

Em 30 de junho, a 5ª DHPP concluiu que o soldado agiu em legítima defesa na noite de 13 de junho e, por isso, não o indiciou pelas quatro mortes. No relatório final do inquérito, o delegado Gabriel Lourenço considerou que o banheiro da pizzaria, usado pelo policial para se refugiar dos integrantes da família Lucena que o perseguiam, não dava outra alternativa para o soldado, se não, atirar. 

Lourenço argumentou que o local era "extremamente pequeno e não apresentava qualquer alternativa para que o autor continuasse fugindo e evitando os disparos de arma de fogo, de modo que esta passou a ser a única escolha que poderia ser tomada pelo agente para sobreviver".

Contraponto

O que diz David Leal, advogado de Anderson Zanuni Moreira dos Santos

"Acredito que é uma prisão totalmente desnecessária. Serve apenas para mostrar serviço e vamos recorrer aos tribunais superiores se for necessário."

Fonte: GZH
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