O vereador Marcos Aurélio Espíndola (PSD), conhecido como Badeko, apresentou-se à Polícia Federal no
início da tarde desta quarta-feira. Até às 14h, ele era considerado foragido, por ser procurado na Operação Ave de Rapina, deflagrada nesta quarta-
feira.
A polícia tentou buscá-lo em sua residência pela manhã, mas não teve nenhuma notícia de seu paradeiro. A PF acusa o
verador de fazer tráfico de influência para trazer interesses de empresários para a administração pública, influenciando licitações e
até projetos de lei. Por tal serviço, ele recebia propina das empresas.
Badeko é a 14ª pessoa presa na Operação Ave de
Rapina. Outras 17 pessoas estariam envolvidas no esquema que a ação da polícia tenta desmontar e envolvia prejuízos ao erário público da Prefeitura
de Florianópolis. Há um outro foragido além do vereador, um empresário.
A reportagem tentou contato com Badeko por meio de seu
telefone celular, que nem chega a chamar, e buscou informações em seu gabinete na Câmara de Vereadores. Foi informada, por um técnico que fazia
manutenção nos computadores, que o expediente só começaria às 13h.
Um exemplo citado pelo delegado da Polícia Federal,
Allan Dias, é o Projeto de Lei Cidade Limpa. Enviado pela Prefeitura de Florianópolis como uma proposta para remover quase todos os outdoors da cidade, acabou recebendo
emendas do vereador e foi esvaziado. Após aprovado, praticamente não mudava a situação antes da nova lei.
A proibição,
que se aplicaria em todos os bairros de Florianópolis, passou a valer apenas para a Beira-mar Norte e para o alto do Morro da Lagoa da Conceição.
:: A operação
A Polícia Federal (PF) cumpre na manhã desta quarta-feira 38 mandados de busca e apreensão, mandados de
prisão e de condução coercitiva em Florianópolis e Joaçaba. A operação também ocorre no Rio Grande do Sul, nas cidades de Porto
Alegre, Vera Cruz, Santa Cruz do Sul e Flores da Cunha.
A Operação Ave de Rapina tem por objetivo a desarticulação de
organização criminosa voltada para a prática de crimes contra a administração pública de Florianópolis.
Em coletiva
de imprensa na manhã desta quarta-feira, a PF informou que cumpriu 15 mandados de prisão — 13 estão presos e dois foragidos. Entre os presos está o
presidente da Fundação Cultural Franklin Cascaes (FCFFC), João Augusto Freyesleben Valle Pereira. O presidente da Câmara de Vereadores, César Faria (PSD),
foi encaminhado para prestar depoimento e o vereador Marcos Aurélio Espíndola (PSD), o Badeko, é um dos foragidos.
Também foram
presos o ex-comandante da Guarda Municipal de Florianópolis, Jean Carlos Viana Cardoso, e o ex-diretor de operações do IPUF, Júlio Pereira Machado. Em setembro,
ambos foram flagrados pela Polícia Rodoviária Federal com quase R$ 100 mil e propaganda eleitoral quando se deslocavam de Porto Alegre para Florianópolis.
Segundo a PF, oito empresas estão envolvidas no esquema de fraude. A empresa gaúcha Kopp Tecnologia, que fabrica controladores de velocidade, é uma das
investigadas. O nome das outras empresas e dos outros presos não foi divulgado.