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08/07/2021 | 05:26 | Polícia

''Ele repetia que só sairia dali morto'', conta refém de homem de Alvorada que sequestrou família em SC

Sequestrador foi morto após investir contra policiais com uma faca

Sequestrador foi morto após investir contra policiais com uma faca
Kézia Gonçalves foi a última vítima liberada pelo sequestrador - Romildo Black / Jornal Amorim

O sequestro de uma família por mais de 10 horas, na última segunda-feira (5), chocou o pequeno município de Balneário Gaivota, em Santa Catarina. O sequestrador, que manteve quatro pessoas reféns, foi morto após investir contra policiais com uma faca. Nenhuma das vítimas ficou ferida. 


Natural de Alvorada, na Região Metropolitana, o homem foi identificado como Cristiano Amaral Júnior, de 28 anos. Ele invadiu a residência do ex-patrão, Marnei Gonçalves (que não estava em casa), e manteve a esposa dele e os três filhos do casal, de quatro, 15 e 16 anos, reféns. Kézia Gonçalves, 36 anos, esposa de Marnei, relatou a GZH os momentos de horror vividos naquele dia.

— Ele pulou o muro da vizinha e entrou no meu quarto. Eu estava dormindo, foi um susto muito grande. Aí ele disse para eu não gritar, ameaçou nos matar. Ao mesmo tempo, pedia perdão à mim e aos meus filhos e repetia que só sairia dali morto — conta Kézia.


Ela e o marido são donos de uma construtora da cidade, e haviam contratado Amaral para trabalhar como servente de pedreiro logo que ele chegou ao município, há cerca de quatro meses. Logo depois, o homem teria decidido retornar à Alvorada. Na última semana, reapareceu em Santa Catarina, e pediu trabalho novamente. Apresentando baixo rendimento no serviço, foi dispensado no último domingo (4).

— Explicamos que no futuro ele poderia voltar, mas que naquele momento ele não estava bem, não conseguia trabalhar. Ele parecia fora de si no serviço. Durante o sequestro ele falou que sofria de depressão, que já havia tentado acabar com a própria vida várias vezes — afirma.

Enquanto estava na casa, o homem falava com familiares do Rio Grande do Sul pelo celular em tom de despedida. Ele também pediu para que alguém enviasse um recado à mãe e ao filho dele, de 10 anos, dizendo que os amava e pedindo desculpas por "ter feito o que fez". Ele também teria repetido que "a decisão estava tomada".

Após negociação com a polícia, o sequestrador concordou em liberar, um a um, os reféns. Antes de soltar Kézia, afirmou não querer que ela o visse morrendo.

— Foi muito triste. Acreditamos que ele queria se suicidar, então usou essa estratégia para ser executado. Eu não queria que tivesse terminado dessa forma, tentei convencê-lo a se entregar junto com a polícia, mas ele não aceitou— conta.

O que diz a investigação


Responsável pelo caso, o delegado Luiz Otavio Pohlman explica que, depois que a última vítima foi liberada, os policiais iniciaram o processo de rendição do homem. Após tentativas de negociação, foram usados mecanismos não letais — como bombas de efeito moral. Amaral, então, partiu para cima dos policiais com uma faca e foi baleado.

Pohlman afirma que, em um primeiro momento, "resta evidente a legítima defesa", mas que um inquérito policial foi aberto para apurar o caso. Ele explica que as motivações para Amaral ter sequestrado a família ainda não estão claras:

— Ele foi dispensado no domingo e na segunda fez isso, mas em nenhum momento exigiu emprego ou cobrou dinheiro das vítimas. Tudo ainda está muito precoce, precisamos apurar as circunstâncias.

GZH procurou a família de Amaral, mas não obteve retorno até a publicação desta reportagem.

Fonte: GZH
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