O argentino Juan
Valentin Arroyo, 30 anos, veio a Porto Alegre em julho em busca de investidores para abrir uma empresa de marketing digital. Há quase um mês sem fazer contatos com a
família, o empresário — ex-subgerente de um banco de Buenos Aires — é considerado desaparecido pela Polícia Civil gaúcha, que já
iniciou as buscas.
Segundo o irmão gêmeo, Juan Manuel Arroyo, até sumir, Juan Valentin fazia contato a cada três ou quatro dias pelo Facebook
e por e-mail. Dizia que estava bem e que as coisas estavam dando certo com os negócios, mas não revelava detalhes. O último contato foi no dia 9 de outubro.
— Nos desesperamos quando ele não ligou no Dia das Mães (comemorado na Argentina em 17 de outubro), aí entramos em contato com todos os
órgãos policiais, e, quando ele não respondeu no nosso aniversário (26 de outubro), eu já estava com tudo pronto para ir ao Brasil — conta Juan
Manuel.
O irmão de Valentin chegou a Porto Alegre na última segunda-feira e fez o registro do desaparecimento na Delegacia do Turista, junto ao
Aeroporto Internacional Salgado Filho. Sem esperar pela polícia, iniciou, sozinho, uma ronda em hotéis por onde o irmão passou, principalmente no Centro, e foi checando
informações repassadas por conhecidos.
— Achamos (familiares) tudo muito estranho, porque não passamos necessidade, nossa família vive
bem na Argentina. Ele mora sozinho em Buenos Aires e pediu demissão da subgerência do banco para abrir o próprio negócio — afirma, acrescentando que o
irmão é separado e não tem filhos.
Há quatro dias na Capital, Juan Manuel conta que brasileiros e argentinos formaram uma rede de
solidariedade para ajudá-lo nas buscas, com distribuição de cartazes e compartilhamento de informações.
Até agora, no
entanto, nem os voluntários, nem a Polícia têm pistas claras do paradeiro do empresário. Segundo a delegada Jeiselaure Rocha de Souza, titular da 5ª
Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), única delegacia que investiga desaparecimentos na Capital, as buscas já
começaram.
— A única informação concreta é que ele não deixou o país. Fora isso, estamos apurando
informações repassadas, de possíveis locais onde ele teria sido visto na cidade, mas nada se confirmou. Também já emitimos alerta para a polícia de
todo o Estado — disse a delegada.
As redes sociais também são usadas como ferramenta de investigação. A polícia investiga
uma pista, surgida no Facebook, de que Juan Valentin poderia ter ido para Santa Catarina.
— Pedimos que quem tiver qualquer pista ligue para o 181, que é
sigiloso e não exige identificação, ou para o 197, que é da polícia, e diga que é sobre o Juan e que o caso está com a 5º DHPP,
pois poderemos ir atrás mais rapidamente — conclui a delegada.