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14/02/2021 | 13:36 | Trânsito

Aguardada há décadas, duplicação da BR-386 começa a sair do papel nesta segunda-feira

Na primeira etapa, estão previstos 20,3 quilômetros na rodovia administrada pela CCR ViaSul, com projeção de conclusão até fevereiro de 2023

Na primeira etapa, estão previstos 20,3 quilômetros na rodovia administrada pela CCR ViaSul, com projeção de conclusão até fevereiro de 2023
Obra começará no trecho entre Marques de Souza e Lajeado - Jefferson Botega / Agencia RBS

A mobilização para uma das principais demandas de infraestrutura rodoviária do Rio Grande do Sul nas últimas décadas começará a sair do papel na próxima semana. A partir de segunda-feira (15), inicia a movimentação para obra de duplicação da BR-386, sob responsabilidade da CCR ViaSul desde 2019. Motoristas que cruzarem a rodovia no trecho entre Marques de Souza e Lajeado, no Vale do Taquari, nas próximas semanas vão deparar com o canteiro de obras da duplicação.  A data de início dos primeiros trabalhos no terreno ainda está sendo definida pelas equipes responsáveis, mas a tendência é de que isso ocorra até o fim deste mês.


Nessa primeira etapa, 20,3 quilômetros da rodovia serão duplicados, com previsão de finalização até fevereiro de 2023. Até 2036, 225,2 quilômetros entre Carazinho e Canoas serão duplicados, conforme cronograma (veja abaixo). A região entre Lajeado e Tabaí, que já conta com pista dupla, também passará por obras de melhorias no tráfego, com ampliação de capacidade. Atualmente, 165,84 quilômetros da via ainda são de pista simples, segundo a concessionária.

 

O coordenador de engenharia da CCR ViaSul, Fábio Hirsch, explica que os trabalhos no trecho tendem a iniciar em Marques de Souza em razão de segmentos com várzea e banhado, que necessitam de aterro, e de rochas, o que demanda detonação. O coordenador destaca que as liberações de pista ocorrerão aos poucos, de acordo com o avanço da obra e em dois períodos. 


— A gente vai ter liberações parciais ao longo do primeiro ano, sendo que as liberações de segmentos maiores vão ocorrer a partir dos 12 meses — projeta Hirsch. 

 

O coordenador explica que, em razão das características da região, as obras de duplicação ocuparão lados diferentes da rodovia atual, o que também terá impacto no modelo de liberação: 

 

— A rodovia acaba serpenteando. Ora, a duplicação está para um lado, ora, está para o outro. Ao longo desse percurso, de dois anos de obra, a gente vai ter inversão de fluxo, ou da pista nova, que vai estar duplicada e liberada, ou andando na pista antiga. 

 

O presidente da Associação dos Municípios do Vale do Taquari (Amvat) e prefeito de Santa Clara do Sul, Paulo Kohlrausch, afirma que a obra de duplicação gera impacto na economia, porque, dentro do desenvolvimento econômico, a infraestrutura de transporte é importante nesse avanço. 

 

— Vai acabar dando um desafogo aqui nesse trajeto, que é muito movimentado, principalmente porque parte dele fica dentro do perímetro urbano de Lajeado — salienta Kohlrausch. 

 

O presidente da Amvat destaca que, mesmo antes da inauguração do trecho duplicado, a obra já vai provocar impacto na economia da região, com aquecimento de diversos setores, como hotelaria, serviços e comércio, em razão da movimentação no canteiro de obras.

 

A BR-386 é uma das principais rodovias do Rio Grande do Sul e recebe diariamente veículos pesados que transportam boa parte do Produto Interno Bruto (PIB) do Estado, como mercadorias da agroindústria gaúcha, recebendo a alcunha de "rodovia da produção". Cerca de 15,8 mil veículos cruzam a rodovia por dia no trecho de concessão da CCR ViaSul, segundo dados da concessionária de 2020. 


O presidente do Sindicato das Empresas de Transportes de Carga e Logística no Estado do Rio Grande do Sul (Setcergs), Sérgio Mário Gabardo, afirma que a duplicação da rodovia beneficia o setor em economia e segurança e, consequentemente, auxilia no desenvolvimento do Estado: 

 

— Os benefícios são incalculáveis. Ganhamos tempo, temos economia de combustível, menos acidentes, muito mais segurança, menos manutenção no nosso equipamento. 

 

Em relação ao trecho entre Marques de Souza e Lajeado, Gabardo destaca que as melhorias na rodovia são importantes em um cenário onde Lajeado vem se consolidando como um dos polos econômicos do Estado, aumentando a circulação de veículos na região.

 

A atual gestão de Marques de Souza, que assumiu no início deste ano, se reuniu com representantes da CCR Viasul nesta semana para tratar de alguns pontos da obra. A prefeitura citou pleito por algumas readequações no projeto, como uma rótula alongada no trevo de acesso ao município e outras demandas. Em comunicado, a gestão municipal destacou que foi bem recebida e que segue tratando sobre o tema. A concessionária informou que sanou algumas dúvidas referentes ao projeto executivo de duplicação. 

 

A projeção


Primeira etapa da duplicação (Marques de Souza - Lajeado)


Impacto financeiro e emprego

 

  • Estão previstos investimentos de cerca de R$ 250 milhões nessa etapa da obra
  • Quinze frentes de obras estarão atuando na rodovia, responsáveis pelos serviços de supressão de vegetação, terraplenagem, detonações de rochas, pontes, pavimentação e sinalização de obras 
  • Serão gerados cerca de 550 empregos diretos e mil indiretos apenas neste primeiro ano 


Outras melhorias no trecho

 

  • 13 quilômetros de vias marginais
  • 2 retornos em nível
  • 6 adequações de acesso
  • 4 passarelas de pedestres
  • 6 novas pontes
  • 6 alargamentos de pontes existentes
  • 2 passagens inferiores
  • 2 passagens superiores
  • Principais pontos críticos desse trecho da rodovia
  • Entre os kms  340 e 345, em Lajeado
Fonte: GZH
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