Odilaine Uglione, mãe do menino Bernardo Boldrini — assassinado
em abril deste ano em Frederico Westphalen — foi assassinada e não se matou. A conclusão é de uma perícia particular encomendada pela família dela.
Os resultados do exame foram divulgados no sábado pelo advogado Marlon Taborda, que representa os familiares de Odilaine.
Odilaine morreu 72 horas antes do
momento de assinar o divórcio, em 2010. Ela era casada com o médico Leandro Boldrini, que agora está preso por suspeita de envolvimento na morte do filho, Bernardo.
Conforme o acordo que seria assinado, Odilaine deveria receber R$ 1,5 milhão e uma pensão mensal de R$ 10 mil. A Polícia Civil investigou o caso e concluiu que ela
cometeu suicídio, com um tiro na boca, dentro do consultório do marido. Pelo menos cinco pessoas aguardavam consulta quando viram um estouro e o médico sair correndo da
sala, apavorado. Ele sustenta que a mulher se matou.
Inconformada, a família de Odilaine desconfia que ela foi morta — ou pelo médico Leandro, ou por
alguém que entrou no consultório dele. Um dos indícios seriam lesões (arranhões, equimoses) que a mulher apresentava no braço direito. Agora a
perícia particular, feita pelo perito Sérgio Saldiaz (da empresa Sewell Perícia Criminal Forense) aponta outra contradição: pelo estudo da
trajetória da bala (que entrou pela boca da vítima), o disparo teria sido feito por outra pessoa, que não a vítima. Contribui também o fato de não
existir pólvora na mão direita de Odilaine, que era destra.
— O ângulo não era compatível com o de uma pessoa que segura a arma
e a dispara contra si própria — resume o advogado Taborda.
Ele ressalta que uma gase estava sobre o cabo do revólver que disparou, "como se
alguém quisesse disfarçar impressões digitais".
Taborda pretende pedir ainda esta semana, mais uma vez, a reabertura do caso. Serão
dois pedidos: um à Chefia de Polícia Civil e outro ao TJ. Ao juiz local ele pediu uma vez, foi negado, agora ele quer pedir direto no TJ (com os novos indícios).